Senado repudia cerco militar à embaixada brasileira

A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou hoje voto de censura e repúdio ao cerco militar à embaixada brasileira em Tegucigalpa pelo governo do presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti. O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, está desde ontem na embaixada do Brasil, que teve água, luz e telefone cortados pelo governo de Micheletti. No voto de censura, os integrantes da Comissão também criticaram ainda a repressão do governo golpista contra "as manifestações pacíficas dos partidários do governante legítimo de Honduras, senhor Manuel Zelaya".

EUGÊNIA LOPES, Agencia Estado

22 de setembro de 2009 | 20h12

"O Senado manifesta seu mais veemente repúdio ao absurdo cerco policial à embaixada do Brasil em Tegucigalpa, o qual contraria frontalmente as responsabilidades do Estado hospedeiro consagradas na Convenção de Viena sobre relações diplomáticas", diz o voto de repúdio, aprovado simbolicamente pelos integrantes da Comissão e que ainda será submetido ao plenário do Senado.

No voto, os senadores fazem ainda um apelo para que "todas as forças políticas de Honduras iniciem um processo transparente de diálogo que conduza o país à conciliação e à volta da normalidade democrática".

Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores, o chefe do Departamento para América Central e Caribe do Itamarati, embaixador Gonçalo Mourão, afirmou que é uma "agressão", "violência" e "brutalidade" a determinação do presidente Micheletti para cortar a água e luz da embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Mourão foi chamado às pressas pelos integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Senado para explicar o abrigo dado pelo governo brasileiro à Zelaya.

Mourão afirmou que o governo brasileiro não teve conhecimento antecipado nem negociou com Zelaya sua ida para a embaixada brasileira em Tegucigalpa. Segundo o embaixador, Zelaya "quase que se materializou na embaixada brasileira". Mourão afirmou ainda que o governo brasileiro não tinha como negar o abrigo ao presidente deposto.

Mesmo concordando com o abrigo a Zelaya dado pelo governo brasileiro, o ex-presidente da Comissão, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), acusou o líder deposto de usar a embaixada do Brasil "como escritório político". "Ele (Zelaya) está fazendo comício dentro da embaixada", disse Fortes. De acordo com Mourão, as cerca de 50 pessoas que acompanham Zelaya na embaixada brasileira vão acabar saindo.

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