Drew Angerer/Getty Images/AFP
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Senado tem votos para limitar poder de guerra de Trump

Senador democrata Tim Kaine cita crescente insatisfação com estratégia do presidente em relação ao Irã entre membros de seu próprio partido

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2020 | 23h37

WASHINGTON - Uma medida que forçaria o presidente Donald Trump a obter autorização do Congresso antes de tomar novas medidas militares contra o Irã agora tem apoio republicano suficiente para passar no Senado, disse nesta terça-feira, 14, um importante senador democrata.

O senador, Tim Kaine, disse que pelo menos quatro republicanos ‘quebrariam as fileiras’ para aprovar um projeto de lei que reduza os poderes de guerra de Trump, ressaltando a crescente insatisfação com a estratégia do presidente em relação ao Irã entre os membros de seu próprio partido. 

Os desertores republicanos "estavam desencorajados que a atitude que nos estava sendo comunicada era a de que o Congresso era um aborrecimento", disse Kaine. "Depois disso, eles vieram até mim e pudemos fazer algumas reformas."

A senadora Susan Collins, do Maine, um dos desertores republicanos, disse em comunicado que "o Congresso não pode ficar de fora dessas importantes decisões".

Juntando-se a ela no planejamento de votação com os democratas estavam os senadores Todd Young, de Indiana, Mike Lee, de Utah, e Rand Paul, de Kentucky.

Os legisladores ficaram cada vez mais irritados com as justificativas inconstantes de Trump para o ataque que matou Qassim Suleimani, o general mais importante do Irã, e deixou as duas nações à beira da guerra.

O que mais os irritou foi um briefing secreto da equipe de segurança nacional do presidente realizado na semana passada. Autoridades da Casa Branca que participaram do briefing, incluindo o secretário de Estado Mike Pompeo e o secretário de Defesa Mark Esper, teriam alertado os legisladores para não questionarem o julgamento do presidente sobre o Irã, segundo testemunhas.

Lee e Paul citaram o briefing "humilhante" do governo quando se comprometeram a apoiar Kaine.

Uma torrente de declarações inconstantes de funcionários do governo na semana passada sobre as razões do assassinato de Suleimani também irritou os legisladores republicanos. Na segunda-feira, a narrativa entrou em colapso quando Trump twittou que a discussão sobre se Suleimani estava planejando um ataque iminente aos interesses dos EUA, como o governo alegou inicialmente, era irrelevante.

A resolução, que daria a Trump um prazo de 30 dias para solicitar ao Congresso autorização para ação militar no Irã, ainda precisaria ser aprovada pela Casa. E seria improvável superar o veto de Trump.

Kaine introduziu a medida, que invoca a Lei dos Poderes de Guerra de 1973, como uma resolução conjunta privilegiada, que lhe permite forçar uma votação sobre a medida e conquistar o apoio de uma maioria simples de senadores. Com 45 democratas no Senado e dois independentes que votam rotineiramente com eles, Kaine precisava de apenas quatro republicanos para assinar. /NYT

 

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