Senado vota entre hoje e amanhã lei de papel-jornal

A operação da polícia na sede da Cablevisión, em Buenos Aires, ocorre enquanto o Senado argentino se prepara para votar entre hoje e amanhã o projeto de lei que declara de "interesse público" a fabricação, comercialização e distribuição de papel-jornal no país.

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h06

O único fabricante de papel-jornal da Argentina é a Papel Prensa, que abastece 75% do mercado local e atende 172 jornais em todo o país. A empresa é controlada pelo Grupo Clarín, com 49% das ações; o La Nación, com 22%; e o próprio Estado argentino, com 27,5%, além de outros sócios minoritários. Caso o projeto seja aprovado, o Clarín e o La Nación serão forçados a vender suas ações, já que as novas normas proíbem que empresas de jornais impressos possam ter ações na Papel Prensa.

Segundo a presidente Cristina Kirchner, a compra da empresa, em 1976, foi ilegal porque teria ocorrido depois de Lídia Papaleo, viúva do banqueiro David Graiver, então dono da fábrica, ter sido torturada.

Na semana passada, Cristina baixou um decreto convocando o Congresso Nacional a promover sessões extraordinárias para debater e votar uma série de projetos de lei - incluindo a referente à Papel Prensa - até o dia 30.

O projeto de lei já foi aprovado na Câmara no dia 16 com 134 votos a favor, 92 contra e 13 abstenções.

No domingo, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), entidade que congrega 155 empresas jornalísticas do Brasil em defesa da liberdade de imprensa, emitiu uma nota manifestando preocupação com o projeto de lei. Na nota, a entidade qualificou de "extremamente preocupante" o projeto que "dará ao governo argentino o poder de limitar o acesso das empresas jornalísticas ao papel, numa evidente ameaça à liberdade de imprensa". / FRANCE PRESSE e EFE

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