Senador colombiano é sequestrado em avião

O senador do Partido Liberal colombiano Jorge Eduardo Gechen Turbay foi sequestrado hoje em um avião comercial desviado supostamente por um comando da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e obrigado a aterrissar numa rodovia do sul da Colômbia. O governo reagiu suspendendo as negociações de paz com o grupo rebelde. "O processo de paz está suspenso e, por instrução do presidente Andrés Pastrana, os representantes do governo não compareceram hoje a uma reunião com os dirigentes das Farc", informou o assessor de Pastrana, Juan Gabriel Uribe."Não é possível que alguém fale de paz na mesa e, nas redondezas, se registrem ações de violência como essa. Parece que as Farc têm uma equipe de negociadores que não está em contato com o que se passa nas outras áreas do país", acrescentou.O De Havilland Dash 8-300, um bimotor de fabricação canadense, pertencente à companhia colombiana Aires partiu hoje com 30 pessoas a bordo da cidade de Neiva com destino a Bogotá, mas teve de desviar-se da rota e foi forçado a aterrissar numa estrada pouco movimentada da localidade de Hobo, no departamento (província) de Huila. "Os guerrilheiros produziram uma coluna de fumaça em terra para sinalizar o local do pouso do avião", disse um oficial do Exército, com base em relatos de moradores de Hobo. "Uma vez em terra, vários homens armados cercaram o avião, retiraram dele o senador e partiram em quatro veículos todo-terreno."As outras 29 pessoas, entre passageiros e tripulantes, foram libertadas. Um passageiro relatou a jornalistas que quatro pessoas em trajes civis armadas com pistolas assumiram o controle do avião e obrigaram o piloto a aterrissar na estrada. Porta-vozes militares informaram que a área ao redor do povoado tinha sido minada pelos guerrilheiros. Uma ponte estratégica, que dava acesso por terra ao local, foi dinamitada na véspera. O local da aterrissagem do avião fica a poucos quilômetros da zona desmilitarizada de 42 mil quilômetros quadrados cedida pelo governo às Farc para servir de sede para as negociações de paz.Um dos principais negociadores da guerrilha, Raúl Reyes, afirmou que o comando das Farc ainda não tinha informação suficiente sobre o seqüestro e negou-se a confirmar ou desmentir a participação dos rebeldes no episódio. O governo colombiano, porém, não tem dúvidas sobre a responsabilidade das Farc. "Temos certeza de que este delito foi cometido pela coluna móvel Teofilo Forero e o governo considera que uma ação dessa gravidade não poderia ser realizada sem o conhecimento do alto comando das Farc", afirmou o representante do governo nas negociações, Camilo Gómez.

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