Senador democrata avança em Nova York, reduto dos Clintons

Jovens do Harlem também se rendem à ?Obamamania?

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

Manhattan, um tradicional bastião de Hillary Clinton, está dividida. A senadora por Nova York ainda tem uma vantagem de dois dígitos no Estado - 56% a 38% de Barack Obama, segundo pesquisa da Survey USA. Mas o senador por Illinois avança no feudo da rival, e a ?Obamamania? já causa choques de gerações no Harlem e seu vizinho latino, o Harlem Espanhol - ou El Barrio. Para a velha guarda negra, o carinho pelos Clinton fala mais alto. Mas, entre os jovens, a perspectiva de eleger o primeiro presidente negro é tentadora. "Minha neta de 25 anos quase me esganou, mas não adianta, eu não vou votar no Obama", diz a aposentada Mae Rolack, de 77 anos. Para obter seus benefícios de assistência à saúde, Mae espera para entrar no prédio de número 55 da Rua 125 do Harlem. É no último andar deste edifício que o ex-presidente Bill Clinton montou seu escritório, logo após deixar a Casa Branca, prestigiando a reurbanização do bairro. "O sindicato nos orientou a votar na Hillary, e eu gosto muito do Clinton, ele fez muito pelos negros", diz Mae.Do outro lado da rua, numa loja de roupas, a gratidão aos Clinton sobrevive, mas a mudança representada por Obama tem mais força. "Se fosse Bill Clinton contra Obama, votaria no Clinton, mas entre Hillary e Obama, vou de Obama", diz o estudante Abraham Baldeh, de 22 anos. Nas pesquisas nacionais, os negros mostram preferência por Obama e os latinos, por Hillary. Mas até em El Barrio, reduto da senadora, Obama está conquistando os jovens do eleitorado hispânico. No Cuchifritos, tradicional restaurante porto-riquenho que serve iguarias como orelha, estômago e língua de porco fritos, o choque de gerações é evidente. O gerente do local, Rafael Sanchez, veio da República Dominicana há 30 anos. Ele lembra com carinho dos anos prósperos do governo Clinton e do apoio que o democrata deu à comunidade latina. "Diria que 75% das pessoas que conheço vão votar em Hillary", diz.O equatoriano Napoleón Spin, de 42 anos, é um deles. "Hillary mostrou muito caráter, principalmente ao continuar casada depois de todo aquele escândalo", diz, referindo-se ao caso que Clinton teve com uma estagiária.Sanchez não está registrado para votar, o que é freqüente entre os latinos mais velhos. O baixo comparecimento e baixo nível de registro dos latinos são uma grande preocupação de Hillary.Já os filhos de hispânicos nascidos nos EUA são mais engajados, com registros em níveis recordes neste ano. Eles, na maioria, votam em Obama. O estudante de serviço social Manuel Caballero, de 20 anos, é filho de pais porto-riquenhos e disse que vai votar em Obama. "Hillary faz discursos diferentes de acordo com o público, é uma hipócrita", reclama.

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