Senador desafia tabu imperial

Político é punido por entregar carta a imperador

O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2013 | 02h02

Um senador do Japão recebeu uma advertência formal ontem por ter rompido um tabu da cultura japonesa. Taro Yamamoto entregou uma carta ao imperador Akihito expressando preocupação sobre o impacto da crise nuclear de Fukushima - o que desafia a deferência ao monarca e a tradição de não envolver a realeza na política do país.

O incidente demonstra a sensibilidade japonesa em relação à família imperial, quase 70 anos depois de o pai de Akihito ter renunciado ao "status divino". Muitos conservadores, porém, ainda atribuem divindade aos membros da dinastia de 2.600 anos e acreditam que plebeus não deveriam nem dirigir a palavra ao imperador.

A controvérsia começou na semana passada durante uma festa no palácio imperial, quando o senador, um ativista antinuclear de 38 anos, entregou a mensagem escrita ao imperador falando brevemente com o monarca, que cumprimentava solenemente seus convidados. A poderosa Agência da Casa Imperial confiscou imediatamente a carta, que não foi lida por Akihito, e condenou a atitude do senador, qualificando-a como "imprópria".

Ontem, em meio a pedidos por sua renúncia, Yamamoto foi proibido pelo Parlamento de frequentar eventos com a família imperial. Convocado a dar explicações no Senado, o legislador desculpou-se, dizendo que não se havia "dado conta de que uma ação desse tipo violava as regras". Ele se recusou a renunciar.

"Há um consenso de que o imperador não deve ser envolvido nas atuais disputas políticas. E, claramente, energia nuclear é um grande assunto político no Japão hoje", explicou Jeffrey Kingston, diretor de estudos asiáticos da Universidade Temple de Tóquio. / REUTERS, AFP e AP

Tudo o que sabemos sobre:
internacional

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.