REUTERS/Jorge Adorno
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Senador diz que governo tem votos para barrar impeachment de presidente do Paraguai

Silvio Ovelar afirma que governo de Mario Abdo Benítez tem 18 votos contra julgamento político, três a mais do que o mínimo necessário para que processo não avance

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 10h39
Atualizado 01 de agosto de 2019 | 13h45

ASSUNÇÃO - Um grande número de legisladores do Partido Colorado vinculados ao governo do Paraguai participaram de uma reunião na residência do presidente Mario Abdo Benítez, segundo informações do jornal ABC Color.

O encontro foi realizado ao longo de toda a noite de quarta e a madrugada desta quinta-feira, 1º, em consequência da grave crise institucional instalada no país depois de Assunção e Brasília assinarem um novo contrato sobre a venda da energia excedente da usina de Itaipu

Ainda de acordo com a imprensa local, a oposição tem os votos necessários para aprovar o julgamento político na Câmara dos Deputados, mas o processo de impeachment seria barrado no Senado.

Em entrevista na manhã desta quinta à rádio ABC Cardinal 730AM o senador governista Silvio Ovelar disse que não há votos suficientes nessa Casa legislativa para retirar Abdo e seu vice, Hugo Velázquez, de seus cargos.

"O processo democrático vai seguir no Paraguai, não há votos no Senado. Estamos em um processo muito complexo no qual precisamos primeiro de esclarecimento dos (políticos colorados) Añetete (...) Eu te dou a garantia de que temos pelo menos 18 votos no Senado", disse Ovelar, ao se referir ao número de legisladores que votarão a favor de Abdo Benítez.

Para Entender

Guia sobre a crise entre Brasil e Paraguai por causa da energia produzida em Itaipu

Novo acordo sobre hidrelétrica binacional assinado por Brasília e Assunção levou oposição a pressionar por impeachment do presidente Mario Abdo Benítez

O Senado do Paraguai é formado por 45 membros e a Constituição do país estabelece que são necessários os votos de ao menos 30 legisladores para a aprovação de um processo de impeachment.

Oposição quer impeachment

Na noite de quarta-feira, a Mesa de Partidos da Oposição decidiu iniciar o processo de julgamento político contra Abdo Benítez e Velázquez pelo acordo firmado com o Brasil sobre a venda de energia da usina de Itaipu. Os opositores também planejam apresentar denúncias penais e realizar mobilizações.

"Decidimos dois pontos: o primeiro é impulsionar o julgamento político do presidente e do vice-presidente e a ação penal de todos os envolvidos nesta situação de crise pela questão de Itaipu", disse a presidente do Partido Revolucionário Febrerista (PRF), Josefina Duarte também ao ABC Color.

Enquanto a oposição articula os arguntos para a acusação, será apresentada, nesta quinta-feira, 1, uma denúncia penal a fim de que a Justiça também avance em eventuais sanções contra os responsáveis pelo acordo negociado, segundo a oposição, "contra os interesses nacionais".

Ajuda de Bolsonaro

Também na quinta-feira, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, prometeu ajudar o governo do Paraguai a superar a crise política provocada pelo acordo energético e destacou seu bom relacionamento com Abdo Benítez.

"Nosso relacionamento com o Paraguai é excepcional, excelente. E estamos dispostos a fazer justiça nesta questão de Itaipu Binacional que lá é importantíssimo para o Paraguai e muito importante para nós também", disse.

O acerto entre os dois países colocou Abdo Benítez sob risco de impeachment. "Você sabe como é que funciona, lá é muito rápido o impeachment", avaliou Bolsonaro. A declaração do presidente é uma referência ao processo que culminou no afastamento do presidente Fernando Lugo, em 2012, e na crise política que atingiu o final do governo de Horacio Cartes, em 2017.

Baixas no governo

Desde a semana passada, ao menos cinco funcionários com cargos de alto escalão no país pediram demissão em razão da crise institucional. A última a entregar seu cargo foi a secretária de Prevenção de Lavagem de Dinheiro ou Bens do Paraguai, María Epifania González, depois que o nome de seu filho foi citado pela imprensa em uma reunião que definiu a ata entre Brasil e Paraguai.

José Rodríguez González teria interferido em uma reunião com empresários brasileiros para que fosse retirado do acordo uma cláusula que dizia que o Paraguai poderia comercializar livremente sua energia excedente. Com isso, segundo opositores do governo, teria agido contra os interesses nacionais.

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