Senador dos EUA chega a Mianmar para dialogar com militares

Próximo de Obama, Jim Webb vai ao país dias após a condenação da opositora Suu Kyi a mais 18 meses de prisão

14 de agosto de 2009 | 09h55

O senador americano Jim Webb chegou a Mianmar sexta-feira, 14, para se encontrar com o líder do regime militar instalado no país. A visita oficial, a primeira de um representante americano de alto escalão desde o início da ditadura no país asiático, acontece alguns dias depois da justiça condenar a líder oposicionista Aung San Suu Kyi a mais 18 meses de prisão domiciliar. Suu Kyi passou presa 14 dos últimos 20 anos.

 

O veredicto, que provocou uma forte reação negativa na comunidade internacional, manterá Suu Kyi afastada do cenário político birmanês durante as eleições programadas para 2010. Webb, presidente do subcomitê do Senado para assuntos da Ásia Oriental e do Pacífico e político próximo ao presidente Barack Obama, deve passar três dias no país e se reunir com membros do governo militar. Fontes birmanesas afirmam que o senador pediu para se encontrar com o chefe da junta militar, o general Than Shwe.

 

Segundo oficiais americanos que falam sob anonimato ao jornal The New York Times, Webb viaja independentemente e não leva nenhuma mensagem da administração Obama, ainda que tenha se reunido com o Departamento de Estado antes de deixar os EUA. Oficiais disseram ainda que a visita foi bem recebida e seria uma oportunidade para abrir canais de comunicação entre a Casa Branca e Mianmar. Recentemente, os EUA ampliaram as sanções ao país devido à recusa da Junta Militar em libertar a líder do movimento democrata e prêmio Nobel da Paz Suu Kyi.

 

Suu Kyi, de 64 anos, envolveu-se ainda muito jovem na política, liderando a Liga Nacional para a Democracia (LND), principal movimento de oposição aos militares birmaneses. Em 1989, ela foi presa pela primeira vez. No ano seguinte, o LND venceu as eleições gerais, mas a junta militar nunca permitiu que ela assumisse o poder. Desde então, Suu Kyi alternou breves meses de liberdade com longos períodos de detenção. Em 1991, ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz, mas o governo jamais permitiu que ela recebesse o prêmio.

 

A última sentença de prisão contra a opositora havia sido proferida em 2003, quando ela foi detida, segundo autoridades birmanesas, "para sua própria proteção", em razão de confrontos entre forças do governo e membros da LND. Em maio, faltando poucos meses para sua pena expirar, o americano John William Yeattaw foi preso depois de ter entrado na casa onde Suu Kyi era mantida. O episódio foi a desculpa perfeita para o governo prolongar um pouco mais a prisão da opositora.

 

Ex-colônia britânica, a Birmânia obteve sua independência em 1948. Desde então, enfrenta disputas políticas e conflitos étnicos. Em 1962, os militares deram um golpe de Estado e transformaram o país em uma das ditaduras mais brutais do planeta.

Tudo o que sabemos sobre:
MianmarEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.