Senador italiano diz ter descoberto diários de Mussolini

O senador italiano Marcello Dell´Utri assegurou ter descoberto e lido os autênticos diários de Benito Mussolini, escondidos na casa de um dos guerrilheiros que o detiveram em 1945 e que atualmente estão com os filhos deste, em Bellinzona (Suíça).Dell´Utri, um estreito colaborador de Silvio Berlusconi, fez o anúncio neste fim de semana, em Udine (nordeste italiano). Para que não restassem dúvidas, ele leu um parágrafo de um dos diários nos quais Mussolini refletia sobre a morte do Papa Pio XI.Os diários, segundo o senador, são cinco agendas escritas por Mussolini entre 1935 e 1939. Todos estavam numa valise que ele carregava quando foi detido em Dongo, em 27 de abril de 1945, ao tentar fugir para a Suíça.O Duce acabou fuzilado junto com sua amante, Claretta Petaci, no dia seguinte à detenção, perto do Lago de Como. Depois, os corpos de ambos foram expostos numa praça de Milão.Segundo Dell´Utri, um dos guerrilheiros que o capturaram, recém-falecido, se apossou da valise. O senador não quis revelar o nome do homem, limitando-se a dizer que seus filhos vivem na Suíça, nacionalidade adquirida pelo pai após 1945.Dell´Utri assegurou que não há dúvida de que as agendas são autênticas, uma vez que Mussolini tinha uma letra clara e reconhecível, "embora nos diários tenha escrito com pressa".Nos diários, segundo o senador, é possível ver como Mussolini, fundador do fascismo italiano, quis evitar a 2ª Guerra Mundial. "Seu comportamento frente à guerra de 1939 (quando explodiu) é negativo, ele (Mussolini) escreve claramente que não a queria", assegurou.Para que não restassem dúvidas de que tinha visto e lido os diários, o senador leu um parágrafo que Mussolini escreveu sobre a morte de Pio XI no dia 10 de fevereiro de 1939. "Foi um Papa extraordinário, tenho que admitir. Não posso prever quem será o novo Papa, espero um Pastor Angelicus", teria escrito.No mesmo dia, Mussolini também escreveu uma reflexão sobre si mesmo, na qual dizia: "O Duce é o Duce e aprendeu a ser invulnerável e irrepreensível. O Duce está sobre um alto pedestal e ninguém o pode criticar. Mas quando sai do pedestal, é um como todos os outros".Embora Dell´Utri insista na autenticidade dos documentos, com o respaldo da neta do ditador, a política Alessandra Mussolini, alguns estudiosos do líder fascista, como Valerio Castronovo e Giovanni Sabbatucci, expressaram seu ceticismo, lembrando, segundo o jornal Corriere della Sera, que nos últimos anos apareceram vários supostos diários do Duce.Claudio Pavone, um dos estudiosos daqueles anos na Itália e da resistência ao fascismo, acredita que as agendas talvez sejam autênticas. Para Pavone, Dell´Utri deveria colocá-las à disposição de historiadores e especialistas.

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