Senador Kerry adverte Paquistão mas reafirma vínculo com EUA

Um senador dos Estados Unidos alertou o Paquistão nesta segunda-feira que o futuro das relações entre os dois países será determinado por ações, e não palavras, após a controvérsia sobre a morte de Osama bin Laden em solo paquistanês.

CHRIS ALLBRITTON, REUTERS

16 de maio de 2011 | 15h28

O senador John Kerry disse em entrevista à imprensa que não havia viajado a Islamabad para pedir desculpas pela operação secreta de forças especiais dos EUA que matou Osama bin Laden no início do mês e enfureceu os militares paquistaneses.

Mas Kerry, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e um democrata próximo ao presidente Barack Obama, disse que as relações EUA-Paquistão são importantes demais para serem ameaçadas pelo incidente.

Em uma advertência velada ao aparato de segurança paquistanês, composto pelas Forças Armadas e a Diretoria de Serviços de Inteligência, Kerry disse: "O futuro não será definido por palavras, mas sim por ações."

Os vínculos já fragilizados de Washington com o aliado Paquistão sofreram um novo golpe depois que as forças dos EUA invadiram o país, pelo Afeganistão, em uma operação secreta que matou Bin Laden, quase dez anos depois que o líder da Al Qaeda orquestrou os ataques de 11 de Setembro contra os Estados Unidos.

Autoridades locais da inteligência disseram nesta segunda-feira que sete militantes foram mortos em ataques separados realizados por aviões norte-americanos não-tripulados na região paquistanesa do Waziristão do Norte. Esse tipo de operação têm alimentado o sentimento antiamericano no Paquistão.

Kerry disse a seus anfitriões que foi necessário manter a operação em sigilo para garantir o seu sucesso, e pediu aos paquistaneses que "interpretem os fatos à luz de uma crítica histórica".

Ninguém no governo ou nas Forças Armadas do Paquistão foi previamente notificado da ação norte-americana, irritando o Exército e o governo paquistaneses.

Mas Kerry observou que muito poucas pessoas na Casa Branca tinham conhecimento prévio da operação, e até mesmo o general David Petraeus, comandante da missão de guerra no Afeganistão, foi informado apenas com alguns dias de antecedência.

Cerca de metade dos paquistaneses disse estar "triste" com a morte de Bin Laden, segundo uma pesquisa realizada pela Gallup do Paquistão. Esses resultados podem comprometer os planos dos Estados Unidos, que querem que o país reprima militantes com mais rigor.

Kerry disse que os Estados Unidos haviam nutrido "graves preocupações" de que Bin Laden seria encontrado no Paquistão, e o Congresso agora está examinando as relações de Washington com o seu aliado estratégico.

"Salientei aos nossos amigos do Paquistão -- e eles são amigos -- que muitos no Congresso estão levantando questões difíceis sobre a nossa assistência econômica para o governo do Paquistão por causa dos eventos que se desenrolaram, e por causa da presença de Osama bin Laden no Paquistão ", disse ele.

Mesmo que não houvesse "nenhuma evidência de que o alto comando do país, civil ou militar, tivesse qualquer conhecimento" da presença de Bin Laden, disse ele, alguns membros do Congresso não acreditam os laços possam ser reparados.

(Reportagem adicional de Faisal Aziz, Kamran Haider e Rebecca Conway)

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