Senador precisa repensar lema de campanha

Artigo

Frank Rich*, O Estadao de S.Paulo

25 de agosto de 2008 | 00h00

Quando a campanha pela presidência dos EUA finalmente começar para valer nesta semana, uma coisa é certa: é hora de Barack Obama dar ao lema "mudança em que podemos acreditar" uma morte digna. Não porque sua vantagem de três ou quatro pontos percentuais tenha caído para uma margem entre um e três pontos. Mas porque a hora chegou. Agora que a campanha receberá toda a atenção do país, a estratégia que venceu Hillary Clinton precisa ser repensada para derrubar John McCain. O lema foi calculado para primárias nas quais todos os candidatos democratas prometiam mudanças quase idênticas ao governo Bush. McCain deve ser um alvo muito mais fácil do que Hillary se Obama retrabalhar sua imagem. Seu temperamento agressivo e suas medidas reacionárias oferecem coisa pior do que a falta de mudanças. Ele é uma ponte de volta não só às medidas de Bush, mas a uma América perdida no século 20. Quando o país tentar abrir caminho por entre as mudanças do século 21, McCain colocará a América em pausa.O que Obama deve fazer agora? Não faltam conselhos: mais ênfase no plano econômico, mais paixão nos comícios, uma atitude menos defensiva aos ataques de McCain e dardos mais afiados contra seu estilo de vida extravagante. Seja como for, as propostas de Obama dispõem de detalhes de sobra, ao passo que McCain, que sequer incluiu uma política de educação na sua página na internet na temporada inicial, ainda os reúne. Segundo David Leonhardt, da New York Times Magazine, o verdadeiro problema de Obama não está na falta de detalhes, mas na inabilidade de vender suas propostas como uma "história efetiva". Obama precisa reacender a "feroz urgência do agora" - mas não simplesmente para evocar ecos favoráveis das lutas por direitos civis ou a necessidade de sair do Iraque.A ansiedade econômica tornou-se o novo terrorismo. Não foi possível assistir às Olimpíadas sem se sentir bombardeado por uma China em ascensão cujo número superior de medalhas de ouro e impressionante administração representaram seu espetacular poderio econômico e cultural no novo século. Os espectadores não conseguiaram escapar à realidade de que a Ásia continuará a crescer mais rápido do que o nosso país, enquanto continuamos encalhados na estagnação e na dívida.Como vamos sair deste atoleiro é o que Obama precisa contar. Não é uma história de intermináveis conflitos no exterior, mas um conto sobre uma séria mobilização doméstica em relação à economia, educação, energia e saúde. Os americanos precisam se unir para realizar as mudanças antes que o novo século nos deixe para trás. Descanse em paz, "mudança em que podemos acreditar." A terrível urgência do século 21 exige mudança antes que seja tarde demais. * Frank Rich escreveu este artigo para o New York Times. Tradução de Augusto Calil.

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