Senador quer ganhar simpatia dos latinos

Para analista, republicano tenta enfatizar credenciais de política externa

Ruth Costas, O Estadao de S.Paulo

02 de julho de 2008 | 00h00

Ao desembarcar na cidade colombiana de Cartagena, o candidato republicano à presidência dos EUA, John McCain, tem ao menos dois objetivos, segundo analistas. "O primeiro é reforçar a ênfase de sua campanha em questões relacionadas à segurança", disse ao Estado o americano naturalizado brasileiro David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília (UnB). Da Colômbia saem 90% da cocaína consumida nos EUA. Além disso, em um momento em que países como a Venezuela e Bolívia fazem do discurso antiamericano uma de suas principais bandeiras, é fundamental, do ponto de vista estratégico, ter aliados na região. "De quebra, com a viagem, McCain ainda toma distância do governo impopular de George W. Bush, acusado pela oposição de negligenciar a América Latina", afirmou Fleischer. O segundo objetivo do republicano seria obter a simpatia da comunidade latina dos EUA. Em alguns Estados, os hispânicos representam até 30% dos votos. ELEIÇÃO"Seria muito precipitado dizer que os dois candidatos perceberam a importância estratégica da América Latina para os EUA e, de repente, caso sejam eleitos, decidiram dar prioridade à região. Até porque o roteiro dessas viagens é bastante limitado", disse Michael Shifter, vice-presidente do instituto de pesquisas Inter-American Dialogue, em Washington. "A esta altura do campeonato, o objetivo de McCain só pode ser mesmo eleitoreiro." Shifter explica que há dúvidas sobre a eficiência dessas visitas na corrida pelo voto latino. A análise vale especialmente no caso de McCain, uma vez que, tradicionalmente, o eleitorado hispânico costuma preferir os democratas por sua flexibilidade em temas relacionados à imigração. "A verdade é que a comunidade hispânica dos EUA, na hora de votar, dá mais peso para questões internas, como a economia, do que ao estado das relações bilaterais com seus países de origem", afirmou Shifter.Para o analista, quando o candidato republicano discursar para os mexicanos, por exemplo, o que seus parentes nos EUA estarão aguardando com ansiedade será qualquer indício de mudança em sua atual posição sobre a regularização do visto de imigrantes ilegais.Inicialmente, McCain era a favor da legalização da maioria deles, tendo até mesmo apoiado uma reforma na lei de imigração, derrotada no Congresso. Depois de garantir a nomeação republicana, voltou atrás para não bater de frente com a base conservadora do partido.

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