Senador republicano pede que Obama corte ajuda ao Cairo

De acordo com John McCain, se Washington não agir logo, o Egito corre o risco de se tornar um Estado islâmico

CAIRO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h02

O senador americano John McCain, do Partido Republicano, pediu ontem que o presidente dos EUA, Barack Obama, use a bilionária ajuda americana anual ao Egito para pressionar seu colega egípcio, Mohamed Morsi, a mudar de ideia e abrir de seus superpoderes. Segundo o senador, que perdeu as eleições para Obama em 2008, há o Eito pode se tornar um Estado islâmico, caso Washington não agir.

"Outro risco é uma retomada de poder por parte dos militares, caso as coisas desandem", disse McCain à rede de TV Fox News. "Um cenário de caos contínuo é provável. Não é assim que o contribuinte americano quer ver seus impostos gastos. Esperamos um progresso rumo à democracia."

McCain tem sido um dos maiores críticos da política externa de Obama. O senador tornou-se umas maiores autoridades republicanas sobre o assunto e frequenta habitualmente os programas dominicais da TV americana.

Ontem, um membro da Irmandade Muçulmana morreu e 60 pessoas ficaram feridas em um ataque a um escritório do grupo na cidade de Damanhour, no Delta do Nilo. Segundo o Partido Justiça e Liberdade (PJL), a vítima tinha 15 anos e foi identificada como Fathy Masoud. O grupo disse que o escritório não estava sendo protegido pela polícia.

Os confrontos entre partidários e antagonistas da Irmandade Muçulmana em Damanhour começaram na noite de sábado e atravessaram o domingo em uma praça da cidade. Cerca de 1,5 mil pessoas marchavam em apoio aos decretos constitucionais emitidos por Morsi quando foram confrontados por críticos da medida.

Mais protestos. Segundo testemunhas da briga, os membros da Irmandade foram atacados com coquetéis molotov. Os islâmicos reagiram com pedras e pedaços de pau. A cidade é um conhecido reduto do grupo, do qual Morsi era filiado até se eleger presidente.

Nos últimos dias, diversos ataques foram organizados contra escritórios da Irmandade, em diversas cidades egípcias. No final da noite de ontem, a Praça Tahrir, no centro do Cairo, era ocupada por cerca de 10 mil pessoas que protestavam contra Morsi. Houve confrontos também em uma praça próxima. / AP

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