Senadora é contra cotas para mulher

Lucía Topolansky diz que visão sobre a paridade com os homens vem do treinamento e da atuação na guerrilha

Rodrigo Cavalheiro - ENVIADO ESPECIAL / MONTEVIDÉU, O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2014 | 18h01

Entre as brigas que Lucía Topolansky comprou com as várias legendas que compõem a Frente Ampla, está a lei que de cotas para mulheres na política. Similar à brasileira, ela determina que os partidos reservem 30% de vagas para candidatas. 

“Quero que a mulher seja guerreira, que mereça suas conquistas, pois aí elas não serão mais tiradas. Falam que a mulher rural não pode tal coisa. Ora, a mulher pode ser a que manda no agronegócio, a que manda na indústria, a que manda na política”, sustenta, elevando a voz. “Se me dão um lugar por cotas, já entro em desvantagem.” Sua opinião muda quando o tema são cotas para negros e transexuais, casos que a seu ver envolvem “dívida histórica” e “discriminação cruel”, respectivamente. 

Ela admite que sua visão sobre a paridade com os homens vem do treinamento e da atuação na guerrilha. “Atrás de um 45, não há gênero. Aquilo era um ambiente mais igualitário, tínhamos que comandar ações armadas”, lembra.

No caso da cota para mulheres, seu ponto de vista foi derrotado. Como “melhor soldado”, votou a favor da lei. A lealdade partidária, para ela, é o segredo da sequência de governos de esquerda. “A direita crê que somos uma colcha de retalhos e nos dividiremos. Mas continuamos unidos há 43 anos. As decisões saem por consenso, acima das convicções pessoais”, afirma. 

“Falam que é preciso alternância, mas o Partido Colorado governou 70 anos. Não queriam que nos tornássemos uma força regular para disputar o poder, mas isso já aconteceu. E digo mais, essa eleição está ganha.”

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