EFE/EPA/CJ GUNTHER
EFE/EPA/CJ GUNTHER

Senadora progressista Warren se candidata à Casa Branca

Democrata é alvo de controvérsia por sua distante origem ameríndia

Redação, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2019 | 19h43

WASHINGTON - A senadora democrata americana Elizabeth Warren lançou neste sábado sua candidatura às eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2020, com uma mensagem claramente de esquerda e em meio à polêmica sobre suas distantes origens ameríndias.

"O estrangulamento da classe média é real e milhões de famílias mal conseguem respirar", disse a legisladora seus entusiastas reunidos em Lawrence, o antigo coração da indústria têxtil no nordeste dos Estados Unidos.

Ao publicar os resultados de um teste de DNA em outubro, a ex-professora de Direito de Harvard tentou barrar os insultos do presidente republicano Donald Trump, que há muito tempo a chama de "Pocahontas" em referência às suas supostas origens ameríndias.

O teste, que confirmou que Warren tem ancestrais nativos distantes, indignou as tribos indígenas, para quem o parentesco é principalmente cultural e não puramente genético.

O Washington Post publicou nesta semana um documento oficial datado da década de 80, no qual Warren, de 69 anos,  se define como "nativa americana", o que reacendeu as acusações dos republicanos, que a censuram por usar suas origens para se promover, o que ela nega categoricamente.

"Os americanos vão rejeitar sua campanha desonesta e suas idéias socialistas", escreveu Brad Parscale, diretor da campanha de Trump para a eleição presidencial de 2020, em que o magnata buscará um segundo mandato.

Senadora por Massachusetts desde 2013, Warren atacou Trump sem nomeá-lo, referindo-se à "intolerância" que não deveria "ocorrer no Salão Oval".

"Um sistema enganoso" 

Além da controvérsia sobre suas origens, a legisladora propôs em seu discurso um sistema universal de saúde, investir em educação e aumentar o salário mínimo.

Ela também se referiu à emblemática história de Lawrence, local de uma famosa greve realizada por trabalhadores imigrantes em 1912. Hoje, a cidade está mergulhada na pobreza como resultado da crise no setor manufatureiro.

"O homem na Casa Branca não é a causa do que estragou, mas apenas o último e mais extremo sintoma do que não funciona nos EUA. É o produto de um sistema enganoso que faz que os ricos e poderosos ganhem e cubram os demais com o lixo", disse antes de se declarar "pré-candidata democrata à presidência dos Estados Unidos". Warren deve competir com vários candidatos para a indicação democrata.

Dez pré-candidatos já foram anunciados e aguardam-se as decisões do ex-vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden, do esquerdista Bernie Sanders (derrotado pela ex-primeira-dama Hillary Clinton em 2016) e do magnata e ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg.

No domingo deve ser anunciada a pré-candidatura de outra senadora democrata, Amy Klobuchar. / AFP

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