Senadora quer ajuda de Lula para libertar refém das Farc

A senadora colombiana de oposição Piedad Córdoba pretende pedir amanhã ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a contribuição logística do Brasil para a operação de libertação do militar Pablo Emílio Moncayo, sequestrado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 1997. Piedad espera ainda obter um sinal mais consistente da disposição do País de atuar como mediador, ao lado do México, em uma renegociação de paz entre o governo de Álvaro Uribe e os líderes das Farc. Em princípio, não será solicitado nada além do que o governo brasileiro já se dispôs a oferecer - a provisão de uma zona neutra, em território nacional, para a eventual negociação.

AE, Agencia Estado

28 de abril de 2009 | 07h45

O desafio da senadora, desde sua chegada ao Brasil anteontem, não tem sido fácil. Lula resiste em recebê-la, por temor de que a visita desagrade a Uribe e comprometa a aproximação entre Brasil e Colômbia. Até a noite de ontem, a audiência da senadora não estava agendada pelo Palácio do Planalto. No entanto, a senadora pôde apresentar ontem seus apelos ao assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Hoje, Piedad vai detalhá-los aos parlamentares da bancada do PT no Congresso e, amanhã, à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Piedad esperava conversar também com a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, e com o chanceler Celso Amorim. Os encontros, porém, também não foram confirmados.

O pedido de apoio logístico brasileiro - possivelmente, a cessão de helicópteros e tripulação - traz implícito um componente de pressão para que o governo de Uribe não atropele a entrega unilateral de Moncayo pelas Farc com uma operação do Exército colombiano na região de seu cativeiro ou com a imposição de novas exigências. Em fevereiro, o Brasil forneceu dois helicópteros para uma operação de libertação de seis prisioneiros da guerrilha colombiana. Na ocasião, o pedido viera diretamente do governo Uribe. Em princípio, o Brasil repetirá a contribuição somente se houver solicitação de Bogotá. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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