Julio Cortez/AP
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Senadora republicana frustra democratas e afasta risco de impeachment de Trump

A republicana Lisa Murkowski é um dos quatro votos que os democratas tentavam obter para convocar testemunhas para depor no processo de impeachment do presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2020 | 15h40
Atualizado 31 de janeiro de 2020 | 16h58

WASHINGTON - A senadora republicana do Alasca Lisa Murkowski indicou nesta sexta-feira, 31, que vai se opor à moção que autorizaria a convocação de testemunhas no processo de impeachment do presidente Donald Trump. Com a decisão, o processo  praticamente se encerra, segundo os jornais americanos.

Ela é uma dos quatro republicanos cujo voto os democratas esperavam ter para conseguir a maioria para convocar testemunhas. Segundo o Washington Post, a CNN e o New York Times, apenas os senadores republicanos Mitt Romney e Susan Collins votariam contra o presidente, deixando a oposição com dois votos a menos do que o necessário.

"Dada a natureza partidária do processo de impeachment desde a sua criação, cheguei à conclusão de que não haverá um julgamento justo no Senado. Não acredito que continuá-lo mudará algo. É triste admitir, mas o Congresso como instituição falhou", afirmou Murkowski em um comunicado.

Os democratas pretendiam convocar John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca. Ele escreveu um livro, ainda não publicado, cujo manuscrito comprometedor circula em Washington. Segundo o New York Times, que teve acesso a trechos, Trump pediu a Bolton que ajudasse a pressionar o governo da Ucrânia a investigar o democrata Joe Biden, maior obstáculo à reeleição do presidente.

O presidente dos Estados Unidos poderá ser absolvido nesta sexta-feira à noite se o Senado rejeitar a possibilidade de convocar testemunhas, abrindo caminho para o veredicto do processo. 

Muito provavelmente, Trump, o terceiro presidente da história do país que enfrenta um processo de impeachment, será declarado inocente das acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso que a Câmara dos Deputados, a maioria democrata, o acusou. 

A Constituição dos EUA exige uma maioria de dois terços, 67 dos 100 senadores, para destituir um presidente. A oposição democrata, entretanto, conta somente com 47 assentos no Senado. 

A única questão agora é saber quando Trump pode fechar esse episódio que divide a classe política e os cidadãos nos EUA. O bilionário, que lançou sua campanha à reeleição, tem pressa para se livrar do julgamento. Segundo seus parentes, ele espera ser absolvido antes de fazer seu discurso tradicional sobre o Estado da União, na terça-feira à noite, no Congresso.

Talvez ele espere o julgamento terminar antes de domingo, quando planeja dar uma entrevista ao canal conservador Fox News antes do Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano, um evento que normalmente reúne cerca de 100 milhões de espectadores e durante o qual será feito o anúncio da campanha presidencial. / WP, NYT e AFP 

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