Scott Olson/Getty Images/AFP
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Senadora Warren lidera em Estado-chave dos EUA; Beto O’Rourke desiste

A pesquisa traz sinais preocupantes para o ex-vice-presidente Biden, que já liderou as sondagens em Iowa

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2019 | 19h13

WASHINGTON - A campanha presidencial da senadora democrata Elizabeth Warren recebeu nesta sexta-feira, 1º, uma boa notícia. Segundo pesquisa New York Times e Siena College com os principais nomes do partido, ela lidera as intenções de voto no Estado de Iowa, que inaugura a temporada de primárias nos EUA – a votação está marcada para 3 de fevereiro.

Com 22%, Warren aparece à frente do senador Bernie Sanders, que tem 19%, do prefeito de South Bend, Pete Buttigieg, com 18% e do ex-vice-presidente Joe Biden, com 17%. Segundo análise do New York Times, Warren consolidou sua vantagem no Estado, enquanto Buttigieg subiu, encostando em Sanders e ultrapassando Biden, que vem caindo bastante desde que seu nome se tornou alvo de Donald Trump – o inquérito de impeachment começou quando o presidente pressionou o governo da Ucrânia a investigá-lo. 

A pesquisa traz mais sinais preocupantes para Biden, que já liderou as sondagens em Iowa. Ele ainda lidera a maioria das pesquisas nacionais, mas sua quarta posição no primeiro Estado das prévias pode representar uma ameaça a sua candidatura. Sua instabilidade agora parece abrir caminho para outros democratas mais próximos do centro, particularmente Buttigieg.

A pesquisa revela uma corrida em fluxo, mas não em confusão, guiada por um forte debate sobre a direção que deve seguir o Partido Democrata em meio às dificuldades de Biden. Nos primeiros Estados onde ocorrerão as primárias, pelo menos, Biden parece estar sendo engolido pelo populismo de Warren e Sanders, de um lado, e pelos pedidos de Buttigieg por uma renovação geracional, do outro. 

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Embora nenhum candidato tenha uma vantagem decisiva, as correntes mais fortes do partido parecem se voltar para candidatos que prometem maneiras diferentes de desafiar a ordem política vigente. 

Vários deles também representariam mudanças em virtude de suas identidades, incluindo Warren, que seria a primeira mulher presidente, e Buttigieg, que é homossexual assumido. Mas, apesar da diversidade histórica entre eles, todos os principais candidatos são brancos. 

Em Iowa, um Estado que ajudou a colocar Barack Obama na presidência, a pesquisa encontrou um bloco importante de eleitores democratas preocupado com o fato de que talvez um homem branco heterossexual não seja capaz de derrotar o presidente Trump. 

No cenário atual, Warren e Sanders correm na mesma pista, disputando os votos da esquerda progressista do partido. Do outro lado, como centristas moderados, estão Biden e Buttigieg, que apresenta uma mistura: ele é gay, mas extremamente religioso.

Perdidos entre os dois espectros do partido estão outros pré-candidatos como as senadoras Kamala Harris e Amy Klobuchar. Ninguém, porém, rompe a barreira dos 5%. Hoje, a dificuldade em se descolar do pelotão de trás levou o ex-deputado texano Beto O’Rourke a desistir da disputa.

"Ainda é difícil de aceitar, mas agora está claro que esta campanha não tem os recursos para prosseguir com sucesso. Meu serviço ao país não será como candidato ou indicado", declarou O'Rourke.

Assitência à saúde

Ao ser cobrada a dar explicações sobre sua proposta, Warren propôs hoje um plano para a assistência de saúde no país, conhecido como Medicare for All, de US$ 20,5 trilhões, sem aumentar impostos para a classe média - seus críticos a atacaram por não explicar como ela pagaria para oferecer esse serviço. 

Ao mesmo tempo, explicou, passaria a impor novos e significativos impostos às empresas e aos ricos que ajudariam a financiar o projeto. A proposta de reforma do sistema de saúde dos EUA enfrenta o escrutínio dos oponentes democratas mais moderados de Warren, que questionam a praticidade do Medicare for All. 

O Medicare for All substituiria o seguro de saúde privado, incluindo planos pagos pelo empregador, a cobertura total patrocinada pelo governo, e os usuários não precisariam mais pagar prêmios, franquias, coparticipações ou outros custos diretos./ NYT e REUTERS 

 

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