Senadores americanos encontram presidente da Bolívia

Seis senadores dos Estados Unidos se reuniram nesta quinta-feira com o presidente Evo Morales em La Paz, onde se limitaram a dizer que seu país deseja ser um bom amigo da Bolívia e recusaram divulgar detalhes sobre os assuntos que foram discutidos.A delegação americana, encabeçada pelo futuro líder da Câmara Alta, o democrata Harry Reid, chegou à Bolívia na quarta-feira, no início de uma viagem que inclui também visitas a Equador e Peru."Nosso país deseja ser um bom amigo da Bolívia", enfatizou Reid na breve entrevista coletiva oferecida após o encontro com Morales.Além disso, o senador americano disse que a escolha de visitar a Bolívia poucos dias antes de assumir a Presidência da Câmara Alta dos EUA não aconteceu por acaso, e mostra a intenção de "fortalecer os laços de amizade" entre ambas as nações."Tivemos uma viagem memorável", assegurou o legislador democrata, que mostrou-se "ansioso" em retornar ao Senado de seu país para contar como ele foi bem tratado na Bolívia."Viemos com amizade e vamos embora sendo muito mais amigos", afirmou após uma "longa e intensa" conversa com o líder boliviano.Reid foi acompanhado na viagem por seus companheiros democratas Richard Durbin, Kent Conrad e Ken Salazar, assim como os republicanos Judd Gregg e Robert Bennett.Em espanhol, Salazar prometeu que o Governo americano vai "trabalhar" pela Bolívia e reiterou a mensagem de amizade que praticamente monopolizou a coletiva.O porta-voz de Harry Reid, Federico de Jesús, assinalou na quarta-feira em Washington que a agenda do grupo para esta viagem inclui a análise da situação comercial de Bolívia, Equador e Peru, a emigração ilegal para os Estados Unidos e os problemas vinculados com a produção de drogas.Em La Paz, os senadores não quiseram divulgar detalhes sobre os temas discutidos e somente deram pistas sobre a conversa que tiveram com Morales em torno da luta contra o narcotráfico."Conversamos a respeito e chegamos à conclusão de que o narcotráfico prejudica em muito as sociedades", se limitou a dizer Reid.O senador acrescentou que foi firmado um acordo com o Governo boliviano para "erradicar tudo o que esteja a mais", em alusão às plantações de coca que existem na Bolívia, usadas com fins tradicionais e culturais, mas também na produção de cocaína.A disputa entre Bolívia e Estados Unidos abrange os chamados cultivos legais de coca, que Morales quer aumentar dos 12 mil hectares permitidos pela lei vigente a 20 mil.Para o Governo americano, a luta contra o tráfico de drogas passa pela redução e não pelo aumento das plantações, sob o argumento de que a plantação em excesso geraria mais cocaína.A visita da delegação legislativa a Equador, Bolívia e Peru acontece uma semana depois de o presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, sancionar uma lei que amplia por seis meses as preferências tarifárias desfrutadas por estes três países e a Colômbia.A consecução de outra prorrogação da chamada Lei de Preferências Tarifárias Andinas e Erradicação de Drogas (ATPDEA) está agora ligada à concretização de tratados de livre-comércio com os Estados Unidos, já acordados por Peru e Colômbia, mas não por Bolívia e Equador, onde há reservas sobre o assunto.Os seis senadores chegarão nesta sexta-feira ao Equador, onde devem se reunir com o presidente eleito Rafael Correa.

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