Senadores dizem que Blagojevich foi longe demais

Nomeações para o Senado têm histórico de tramas e corrupção

Carl Hulse*, The New York Times, O Estadao de S.Paulo

12 de dezembro de 2008 | 00h00

Em meio a acusações de corrupção generalizada, uma cadeira vazia no Senado dos EUA espera um novo ocupante de Illinois, cujo governador não está intitulado a fazer a escolha. Essa história é de 1927, quando o Senado acabou negando uma cadeira a Frank Smith por questões que cercaram sua nomeação pelo governador Len Small. Mas tudo isso soa familiar hoje quando um novo caso sórdido é acrescido a uma longa e colorida história das maquinações que surgem quando o prêmio é a nomeação para o mais exclusivo dos clubes políticos. Dado o prestígio de uma cadeira no Senado, talvez não seja surpreendente que quando essas vacâncias ocorrem o processo de concessão do posto fique repleto de prevaricações e riscos políticos. O governador de Illinois, Rod Blagojevich, apanhado em grampos telefônicos, estava com razão quando disse que seu poder de instalar quem ele bem quisesse na vaga de Barack Obama no Senado era de ouro. Ele confere uma singular capacidade de escolha para o órgão legislativo sem as inconveniências de uma eleição - ou de ter de levantar milhões de dólares para financiar uma. Nesse tipo de situação, inevitavelmente, disse Donald Ritchie, historiador do Senado, "o governador faz um amigo e muitos inimigos". Nos primeiros tempos do Senado, quando deputados estaduais faziam a escolha de cada senador, histórias de propina e corrupção eram comuns. Mas, mesmo depois que foi instituída a eleição direta de senadores, em 1913, o preenchimento de vacâncias com frequência absorveu governadores e iniciados na política. Membros do Senado, chocados com o descaramento de Blagojevich ao tentar tirar vantagem pessoal da nomeação, disseram que as atividades expostas foram muito além das típicas manobras envolvendo vacâncias no Senado. "Já houve problemas", disse o senador Jeff Sessions, republicano pelo Alabama. "Mas pelo que vi, este é muito grave." Diferentemente da Câmara, na qual as vacâncias são preenchidas exclusivamente em eleições especiais, as vacâncias no Senado, pela Constituição, são atribuição da legislação estadual. Os Estados têm abordagens diferentes sobre o preenchimento das vacâncias, mas a maioria, como Illinois, o deixou sob responsabilidade do governador. Em Nova York, onde a senadora Hillary Clinton deixará sua cadeira para assumir o Departamento de Estado, políticos vêm manobrando para obter lugar numa lista de candidatos potenciais que inclui Caroline Kennedy, a filha do ex-presidente John F. Kennedy. Alguns democratas acreditam que o caso de Illinois poderá respingar em Nova York, colocando as autoridades de lá de sobreaviso para tornar o processo mais transparente e sem vestígios de influências indevidas. *Carl Hulse é colunista do jornal The New York Times

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