Elizabeth Frantz/Reuters
Elizabeth Frantz/Reuters

Senadores dos EUA alertam para 'declínio democrático' no Brasil com Bolsonaro

Em carta destinada ao secretário de Estado, Antony Blinken, quatro influentes senadores democratas destacaram que 'uma alteração da ordem constitucional brasileira poria em risco a própria base' das relações entre os dois países

Beatriz Bulla / Correspondente, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2021 | 19h57
Atualizado 29 de setembro de 2021 | 11h49

WASHINGTON - Senadores democratas enviaram uma carta ao governo Biden, nesta terça-feira, 28, na qual demonstram preocupação com ataques do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ao sistema eleitoral do País. No texto, os congressistas pedem que o secretário de Estado, Antony Blinken, deixe claro que a relação entre Estados Unidos e Brasil estará em risco se Bolsonaro não respeitar o jogo democrático nas eleições presidenciais do ano que vem. 

“Instamos o sr. a deixar claro que os EUA apoiam as instituições democráticas do Brasil e que qualquer ruptura antidemocrática da ordem constitucional atual terá graves consequências”, escreveram os senadores. 

Ao falar das alegações falsas de Bolsonaro sobre ocorrência de fraude no sistema eleitoral, os congressistas afirmam que "esse tipo de linguagem imprudente é perigosa para qualquer democracia" e que, no caso do Brasil, é também injusta porque o país "por décadas se mostrou capaz de facilitar transferências pacíficas de poder”. Os americanos também citam ataques pessoais de Bolsonaro a ministros do Supremo Tribunal Federal.

A carta foi assinada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Bob Menendez, e por mais três senadores, incluindo Dick Durbin, presidente da Comissão de Justiça do Senado americano. O documento foi encaminhado a Blinken e pede que ele faça do tema uma prioridade diplomática na relação com o país.

Em agosto, quando o Conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, esteve no Brasil, o respeito ao processo eleitoral brasileiro foi tema de encontro entre a comitiva brasileira e Bolsonaro. Em uma nova rodada da ofensiva americana para tentar barrar a entrada da chinesa Huawei no mercado 5G do Brasil, os americanos visitaram Brasília e acenaram com a possibilidade de estreitamento da cooperação militar entre os dois países. A oferta aconteceu, no entanto, em meio às investidas de Bolsonaro contra o sistema eleitoral vigente no País -- o que despertou reação negativa entre democratas.

Logo após Washington ressaltou que a conversa sobre a confiança dos americanos no sistema eleitoral brasileiro foi parte importante do encontro com Bolsonaro. 

Com frequência, democratas do Congresso pressionam o governo americano a manter distanciamento do governo Bolsonaro e a romper relações com o presidente do Brasil em razão da posição do brasileiro sobre direitos de minorias, meio ambiente e democracia. As cartas que têm Bolsonaro como alvo tiveram início ainda na campanha eleitoral de 2018 e só se intensificaram.

Desde a eleição de Joe Biden, no entanto, a reclamação dos democratas tem mais força junto ao governo americano, comandado por um presidente também democrata.

O posicionamento do governo americano tem sido de pragmatismo. Biden evita aproximar-se de Bolsonaro -- os dois nunca conversaram sequer por telefone -- e sabe que qualquer contato seria mal visto entre democratas do partido e junto à base da legenda.

O alto escalão de seu governo, no entanto, mantém diálogo aberto com o time de Bolsonaro. Na semana passada, em Nova York, o chanceler brasileiro, Carlos França, teve uma reunião com o secretário de Estado americano, Antony Blinken. O ministro do meio ambiente do Brasil, Joaquim Leite, se encontrou no mesmo dia com o enviado especial para o clima do governo Biden, John Kerry.

 

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