Bandar Algaloud Handout/EPA, via Shutterstock
Bandar Algaloud Handout/EPA, via Shutterstock

Senadores dos EUA dizem acreditar na cumplicidade de príncipe na morte de jornalista

Declaração de republicanos foi dada após diretora da CIA, Gina Haspal, apresentar caso a um grupo de senadores

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2018 | 17h07
Atualizado 04 Dezembro 2018 | 20h34

WASHINGTON - Um grupo de senadores americanos disse nesta terça-feira, 4, estar convencido de que o príncipe saudita, Mohamed bin Salman, ordenou a morte do jornalista Jamal Khashoggi. As declarações foram dadas após depoimento a portas fechadas de Gina Haspel, diretora da CIA, e contradizem a posição oficial da Casa Branca, que tenta salvar a imagem do príncipe e preservar as relações comerciais do país com a Arábia Saudita. 

“Não tenho nenhuma dúvida de que o príncipe herdeiro orquestrou o assassinato e foi mantido a par da situação a todo momento”, disse o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o republicano Bob Corker. 

“Ele (Salman) é cúmplice no assassinato de Khashoggi no mais alto nível possível”, disse Lindsey Graham, também republicano e aliado de Trump. Graham pediu ainda que o presidente adote uma posição mais dura contra o príncipe. Segundo o senador Richard Shelby, outro republicano, “todas as evidências” apontam para a cumplicidade do príncipe herdeiro da Arábia Saudita. 

Os senadores, porém, estavam divididos sobre os próximos passos. Na semana passada, o Senado aprovou uma legislação para acabar com o envolvimento dos EUA na guerra no Iêmen, liderada pela Arábia Saudita em uma coalizão com países árabes. A medida determina um corte na ajuda militar americana às operações. “Alguém deveria ser punido, mas a questão é como separar o príncipe herdeiro do resto do país”, disse Shelby. 

Graham afirmou que não poderia votar a favor da resolução. No entanto, garantiu que tentaria cortar a venda de armas e a ajuda militar para as operações no Iêmen, impondo novas sanções aos responsáveis pelo assassinato de Khashoggi, incluindo o príncipe herdeiro. 

“Não há uma arma fumegante, há uma motosserra fumegante. Você tem de ser cego para não ver isso”, disse Graham, em referência ao fato de os sauditas terem usado uma motosserra para desmembrar o corpo de Khashoggi no consulado em Istambul. 

O jornalista dissidente, de 59 anos, era colaborador do jornal americano Washington Post e crítico do governo saudita. Khashoggi foi brutalmente assassinado e, segundo autoridades turcas, esquartejado em uma operação desastrosa no dia 2 de outubro no Consulado da Arábia Saudita em Istambul. 

O Post, ao lado do Wall Street Journal e do New York Times, informaram que a CIA tem provas de que Salman trocou 11 mensagens com seu assistente, Saud al-Qahtani, que supostamente supervisionou o assassinato, antes e depois do momento em que teria ocorrido o homicídio. 

“Pode ser que o príncipe herdeiro tivesse conhecimento desse trágico evento. Pode ser que sim, pode ser que não”, disse Trump, em comunicado divulgado no dia 20. O presidente assinalou ainda que as relações entre EUA e Arábia Saudita e a estabilidade do mercado petroleiro eram importantes demais para serem prejudicados pelo caso. 

Pressão

Na semana passada, diante da crescente pressão de congressistas democratas e republicanos para que a Casa Branca tomasse alguma medida contra Riad, o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o chefe do Pentágono, Jim Mattis, prestaram depoimento aos senadores em uma sessão fechada. 

Mattis e Pompeo disseram que não tinham nenhuma evidência forte que vinculasse Salman ao assassinato. Eles compareceram ao Senado para tentar derrubar a resolução que exige o fim da assistência militar dos EUA à Arábia Saudita na guerra no Iêmen. 

Após a sessão, diversos senadores disseram que estavam irritados com a ausência de Haspel, diretora da CIA. O senador democrata Bob Menendez afirmou que a ausência havia sido proposital, já que ela tinha dito, “com alto nível de confiança”, que o príncipe estava envolvido no assassinato de Khashoggi”. Haspel foi a única funcionária do alto escalão do governo americano a ter acesso aos diálogos gravados no consulado pelos turcos. 

As gravações de áudio comprovariam o envolvimento do príncipe no assassinato. A Casa Branca, porém, passou as últimas semanas evitando o assunto. John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional de Trump, chegou a dizer que não escutaria as gravações porque “não fala árabe”. / NYT, AFP e W. POST 

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