Senadores republicanos dizem que vão apoiar escolha de Trump para Suprema Corte

A sinalização favorável de três senadores praticamente garantiu que Trump obtenha os votos de que precisa para formar uma maioria conservadora na Suprema Corte depois da morte da juíza Ruth Bader Ginsburg

Redação - O Estado de S.Paulo

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WASHINGTON - As esperanças dos democratas de manter uma cadeira vazia na Suprema Corte dos Estados Unidos esmoreceram nesta terça-feira, 22, com ao menos três senadores republicanos moderados sinalizando apoio para uma ação rápida de votação do nome indicado por Donald Trump antes da eleição de 3 novembro. O presidente anunciou nesta terça-feira que divulgará sua escolha no sábado

Os democratas esperavam obter apoio de Cory Gardner, senador pelo Colorado, que enfrenta uma dura disputa pela reeleição no Estado, e do senador de Iowa, Chuck Grassley. Mas ambos disseram que votariam para confirmar uma escolha de Trump para substituir a juíza Ruth Bader Ginsburg.

Além deles, o senador republicano Mitt Romney disse nesta terça-feira que apoiará a votação do nome indicado por Trump no Senado. Romney era visto pelos democratas como um potencial obstáculo à indicação de Trump, por ter batido de frente com o presidente americano inúmeras vezes, incluindo votando para condená-lo no julgamento de impeachment.

O senador republicano de Utah, Mitt Romney, conversa com a imprensa no Capitólio   Foto: Michael Reynolds/EFE

Republicano de Utah, Romney disse hoje que apoiaria “avançar para ocupar a cadeira da Suprema Corte” deixada em aberto, praticamente garantindo que Trump tenha os votos de que precisa para formar uma maioria conservadora no tribunal.

Em uma declaração na manhã de terça-feira, Romney fez eco aos líderes republicanos que disseram que o precedente histórico apoiava o preenchimento da vaga em um ano eleitoral quando a presidência e o Senado eram controlados pelo mesmo partido.

“A Constituição dá ao presidente o poder de nomear, e ao Senado a autoridade para aconselhar e dar consentimento aos nomeados para a Suprema Corte”, disse Romney. “Consequentemente, pretendo seguir a Constituição e os precedentes ao considerar o nomeado pelo presidente. Se o nomeado chegar ao plenário do Senado, pretendo votar com base em suas qualificações.”

Romney, que foi candidato presidencial em 2012, é um dos poucos republicanos dispostos a criticar Trump. Mas com o restante de seu partido rapidamente cerrando fileiras ao lado de Trump, ficou claro que a oposição de Romney não teria sido suficiente para bloquear uma confirmação.

“Meus amigos liberais se acostumaram ao longo de muitas décadas com a ideia de ter um tribunal liberal, mas isso não está escrito nas estrelas”, disse ele. “Sei que muitas pessoas estão dizendo:‘ Puxa, não queremos essa mudança ’. Eu entendo a energia associada a essa perspectiva. Mas também é apropriado para uma nação que é de centro-direita ter um tribunal que reflita os pontos de vista de centro-direita.”

Na terça-feira, os líderes republicanos e Trump conseguiram limitar as deserções dentro de seu próprio partido para apenas duas: as senadoras Lisa Murkowski, do Alasca, e Susan Collins, do Maine, que disseram que não apoiariam o preenchimento da vaga tão perto da eleição

Dada a maioria dos republicanos de 53 a 44 no Senado (os outros 3 são independentes, mas votam com os democratas), eles teriam uma maioria de 51-49 na votação, o suficiente para passar a confirmação. Mais uma deserção geraria um empate que seria desfeito pelo vice-presidente, Mike Pence. Mais dois afundariam o esforço. Os democratas precisariam de quatro desertores republicanos para se juntar a eles para derrotar um indicado de Trump. 

O senador Mitch McConnell, do Kentucky, o líder da maioria republicana no Senado, não fez menção ao momento da votação de confirmação em comentários na manhã desta terça-feira, mas criticou seus colegas democratas pelo "clamor e histeria" em torno da indicação.

“Eu direi o que realmente poderia ameaçar nosso sistema de governo - não são os republicanos do Senado fazendo coisas legítimas dentro das regras do Senado e dentro da Constituição que os democratas não gostam”, disse McConnell. “Não, o que realmente pode ameaçar nosso sistema é se um de nossos dois principais partidos continuar a fingir que todo o sistema é automaticamente ilegítimo sempre que perdem.”

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21/09/2020

Ginsburg será velada na Suprema Corte na quarta e quinta-feira. Seu caixão será posto sobre o mesmo catafalco que sustentou o caixão com os restos do presidente Abraham Lincoln, em 1865. Ela será enterrada no cemitério nacional de Arlington.

As pesquisas mostram que a maioria do público pensa que a indicação deve ser feita pelo vencedor da eleição presidencial. Os democratas também apontam para o precedente da recusa do líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, de conceder uma audiência ao último indicado de Barack Obama, Merrick Garland, oito meses entre a morte de Antonin Scalia em fevereiro de 2016 e a eleição de Trump.

McConnell e os aliados do Senado dizem que o precedente que eles estabeleceram não se aplica, já que o Senado e a Casa Branca são governados pelo mesmo partido. Não há previsão na Constituição sobre o assunto. Na corte atual, o conservador Clarence Thomas foi nomeado por um presidente republicano e confirmado por um Senado democrata./W. POST e NYT

 

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