Leah Millis/Reuters
Leah Millis/Reuters

Senadores usam sabatina de juíza indicada por Trump como palanque

Muitos que disputam a reeleição estão presos em Washington e transformam as audiências de confirmação em eventos políticos

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2020 | 21h19

WASHINGTON - A sabatina para aprovar o nome da juíza Amy Coney Barrett para a Suprema Corte está sendo usada como palanque para senadores que disputam a reeleição em novembro. Os republicanos querem acelerar o processo de nomeação, que começou na segunda-feira, para que Barrett ocupe a vaga antes da eleição, em 3 novembro. 

Um dos mais apressados é Lindsey Graham, senador republicano da Carolina do Sul. Ele preside a Comissão de Justiça, que deve aprovar o nome de Barrett para ser votado em plenário. Ao mesmo tempo, ele disputa a reeleição contra o democrata Jaime Harrison, que vem dando mais trabalho do que o previsto. 

No terceiro trimestre, Harrison arrecadou US$ 57 milhões (R$ 317,4 milhões) – um recorde para campanhas ao Senado nos EUA. O alinhamento automático de Graham com o presidente Donald Trump, segundo analistas, é o principal motivo da dificuldade que ele encontra na disputa para o Senado em um Estado que sempre foi reduto republicano. 

Oito anos atrás, Graham venceu o candidato democrata, Brad Hutto, com mais de 16 pontos porcentuais de vantagem. Agora, preso em Washington para as audiências de confirmação de Barrett, a melhor forma de Graham fazer campanha é durante a sabatina, que costuma ser transmitida por algumas emissoras de TV. 

Quem enfrenta um problema parecido é Kamala Harris, senadora da Califórnia e candidata a vice na chapa democrata. Harris ganhou elogios dos democratas pela forma agressiva com que sabatinou o juiz Brett Kavanaugh, também indicado por Trump, em 2018. 

Desta vez, ela vem participando das audiências por videoconferência de seu gabinete em Washington, citando precaução em razão da pandemia. Assim como Graham, o objetivo de Harris é aproveitar a oportunidade da sabatina para marcar pontos com a base do partido. 

O republicano Tom Tillis, senador da Carolina do Norte, é outro que precisa representar um bom papel nas audiências se quiser ser reeleito. Ele enfrenta uma disputa dura contra o democrata Cal Cunningham em novembro – os dois estão estatisticamente empatados, segundo pesquisas. O resultado é surpreendente, já que Cunningham se envolveu em um escândalo extraconjugal e só não se tornou carta fora do baralho porque Tillis contraiu covid na recepção em homenagem à juíza Barrett na Casa Branca, no início do mês. 

Tillis disse que não tem sintomas de covid e poderia comparecer às audiências pessoalmente nos últimos dias da semana. Os democratas alertaram que se ele comparecer pessoalmente pode colocar em risco outros senadores e funcionários da Casa. Enquanto isso, ele já providenciou um teste negativo e prometeu presença. “Estou pronto para voltar ao trabalho”, disse.

Maioria

É consenso entre os senadores que a confirmação da juíza é inevitável. Por isso, a sabatina tem sido contaminada pelo clima eleitoral. Os democratas usam seu tempo para questionar as posições de Barrett sobre aborto e o acesso aos cuidados de saúde, temas que os ajudaram a ganhar a maioria na Câmara nas eleições legislativas de 2018. Por terem uma maioria confortável no Senado (53 dos 100 senadores), os republicanos esperam aprovar o nome da juíza antes da eleição do dia 3 de novembro. / NYT e WP

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