Sendero convoca greve contra eleições

Membros remanescentes do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso convocaram a população de uma região selvagem do sudeste peruano para uma "greve armada", desde esta sexta-feira até segunda-feira, contra a realização do segundo turno das eleições presidenciais que se realizarão no país no próximo domingo, informou a polícia. Segundo os policiais, na quarta-feira os rebeldes interceptaram veículos em um local conhecido como Tutumbaro, na rodovia Tambo-San Francisco, no departamento (província) de Ayacucho, 350 quilômetros a sudeste de Lima. Com tinta vermelha, os senderistas pintaram nos veículos as palavras-de-ordem "Não votar", "Eleições não", "Guerra popular sim", acrescentando o emblema de sua organização - uma foice e um martelo cruzados. Segundo a polícia, os caminhoneiros disseram que os guerrilheiros ameaçaram incendiar seus veículos e queimá-los vivos se não acatarem a greve. No cruzamento do quilômetro 107 da estrada, disse a polícia, os insurgentes lançaram panfletos nos quais dizem que, no domingo, os cidadãos não devem votar porque os dois candidatos presidenciais, Alejandro Toledo e Alan García, são "rateros"(ladrões). Testemunhas disseram à Associated Press que o trânsito de veículos entre Tambo e San Francisco estava paralisado nesta sexta-feira, e que tropas do Exército patrulhavam a estrada para impedir qualquer nova incursão dos senderistas. Os atentados terroristas e assassinatos do Sendero começaram na véspera das eleições gerais de maio de 1980 em Chuschi, Ayacucho, quando eles invadiram um local e incendiaram o material eleitoral; a onda terrorista do grupo só retrocedeu a partir de 1992, após a detenção e condenação à prisão perpétua de seu líder máximo, Abimael Guzmán, e vários de seus seguidores.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.