EFE/ERNESTO ARIAS
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Sendero Luminoso mantém quase 200 reféns em condição de escravidão no Peru

Números foram divulgados pelo vice-ministro de Polícias para Defesa do país; desde 2011, quase 150 pessoas foram resgatadas de acampamentos do grupo nas selvas peruanas

O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 12h22

MAZAMARI, PERU - Oculta na frondosidade da selva do Peru, a organização terrorista Sendero Luminoso mantém ainda como reféns, e em condições de escravidão, entre 170 e 200 pessoas, das quais entre 70 e 80 são crianças, segundo a estimativa do vice-ministro de Políticas para a Defesa peruano, Ivan Vega.

Vega denunciou na quarta-feira, 5, que os comandantes do Sendero submetem à servidão forçosa seus reféns no que denominam como "centros de produção", fazendas onde as mulheres são forçadas a abastecer-lhes de alimentos e também de novos guerrilheiros através de estupros, já que as crianças concebidas são integradas à atividade militar.

"As crianças se dedicam ao cultivo e à criação de animais e são doutrinadas na ideologia (maoista) do Sendero. Quando completam 15 anos, são incorporadas à guerrilha", relatou Vega durante uma visita à cidade de Mazamari, na região central de Junín.

O vice-ministro destacou hoje que a polícia e as forças armadas do Peru recuperaram 144 pessoas, entre elas 59 crianças, do domínio do Sendero Luminoso desde 2011 até a atualidade em várias operações especiais.

O Sendero Luminoso é o responsável pela maioria das mais de 69.000 mortes causadas pelo conflito interno entre o Estado peruano e a organização terrorista de 1980 até 2000, segundo o relatório final da Comissão da Verdade e a Reconciliação (CVR).

As últimas bases senderistas permanecem escondidas na espessura da selva montanhosa de El Vraem, uma região extensa e escarpada em contínuo "estado de emergência" por ser também a maior área de cultivos ilegais de folha de coca do país, com 18.845 hectares, segundo as Nações Unidas. / EFE

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