Senegalês diz que Bush alertou para envio de tropas a Darfur

O presidente do Senegal,Abdoulaye Wade, disse na quinta-feira que o presidente dos EUA,George W. Bush, havia informado os países africanos sobre apossibilidade de o governo norte-americano enviar seus soldadospara Darfur (Sudão) caso o continente não faça nada para acabarcom o suposto genocídio que ocorre ali. Segundo Wade, Bush, que defende veementemente a tomada deuma ação internacional para colocar fim aos cinco anos deconflito em Darfur, havia feito o alerta em conversa com ele.Mas o presidente senegalês não especificou quando ou em quaiscircunstâncias isso teria ocorrido. Ao comentar a decisão do procurador-chefe do Tribunal PenalInternacional, adotada na semana passada, de pedir a prisão dopresidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, acusando-o de tercometido crimes de guerra, Wade disse que Bush tinha "semprefalado em alto e bom som que os EUA estavam convencidos do fatode Bashir ter praticado genocídio em Darfur". "Eu precisei comunicar ao presidente Bashir e aos meusoutros colegas africanos o aviso do presidente Bush sobre apossibilidade de os EUA ignorarem o Conselho de Segurança (daOrganização das Nações Unidas, ONU) e enviarem soldados aDarfur caso não façamos nada para acabar com aquela tragédia",afirmou Wade, em um comunicado divulgado em Dacar. "Eu e meus colegas africanos tentamos dissuadi-lo de fazerisso e tentamos convencê-lo a nos permitir tentar resolver esseproblema entre os africanos", acrescentou. Os EUA deram apoio ao envio de uma força da paz da ONU e daUnião Africana (UA) para Darfur e chegaram até mesmo a ajudarno transporte aéreo dessas forças para a e da região sudanesa. O governo norte-americano, porém, já envolvido com missõesmilitares no Iraque e no Afeganistão, não chegou a enviarsoldados para Darfur, onde, segundo estimativas deespecialistas, 200 mil pessoas morreram e outros 2,5 milhõesforam expulsas de suas casas nos cinco anos de conflito. Wade afirmou encarar o aviso de Bush sobre enviar tropaspara Darfur "com muita seriedade. Especialmente depois do queocorreu no caso da invasão norte-americana do Iraque, quandoele me informou do que ocorreria com dois dias deantecedência".

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