Senegaleses são confinados durante visita de Bush

Quando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, desembarcou na Ilha de Gorée, no Senegal, os restaurantes estavam fechados, as janelas das casas, abaixadas, e as ruas, desertas. Um grupo seleto de dignitários senegaleses e estudantes especialmente convidados esperava diante da tribuna montada na ilha de onde africanos foram embarcados como escravos para colônias nas Américas. Mas era praticamente impossível encontrar um morador da Ilha de Gorée.Por precauções de segurança, quase todos foram confinados em suas casas ou em tendas fechadas, durante a visita. A polícia "nos acordou às cinco da manhã", afirmou um irritado Modu Diop, um estudante de 17 anos. "Fomos todos levados como gado para o campo de futebol".A segurança também foi intensa na capital, Dacar, onde a principal rodovia foi fechada e os moradores receberam instruções para manter as janelas fechadas durante a passagem da comitiva de Bush. Foi um forte contraste com a visita do presidente Bill Clinton, em 1998, quando multidões saíram às ruas para recebê-lo festivamente.Um funcionário da Embaixada dos EUA, que pediu anonimato, disse que os moradores da ilha foram mantidos à distância porque as forças de segurança do Senegal não queria submetê-los às rigorosas vistorias impostas a todos que compareceram à cerimônia.Depois que Bush partiu, os moradores abriram as janelas das casas e saíram novamente às ruas. Crianças mergulhavam no mar, pescadores subiram em suas canoas de um tronco só, e um café colocou seu cardápio na porta, e abriu para os clientes. "Todos os presidentes que vieram aqui disseram pelo menos um ´oi´ para nós", reclamou Ousmane Alias, 30 anos. "Menos o Bush".

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