´Senhor da guerra´ do Afeganistão protege Bin Laden

O líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, está vivo e muito provavelmente se esconde no leste do Afeganistão, onde contaria com o apoio do ´senhor da guerra´ Gulbuddin Hekmatyar, afirma o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, numa entrevista ao jornal britânico "The Times". "Não é um pressentimento. A província de Kunar, no leste, faz fronteira com a região paquistanesa de Bajaur, onde sabemos que há grupos da Al-Qaeda. Temos uma boa operação de espionagem ali, e enfrentamos rebeldes duas vezes com o Exército, inclusive matando alguns deles", acrescentou. Segundo o jornal, Musharraf falou sobre a existência de um possível vínculo entre o terrorista mais procurado do mundo e o senhor daguerra afegão Gulbuddin Hekmatyar. Ele e Bin Laden lutaram juntos contra a ocupação soviética do Afeganistão, nos anos 80, e na guerra civil afegã de 1992-1996. Hekmatyar, que é da etnia pashtun e nos anos 90 foi primeiro-ministro, era adversário do então presidente Burhanuddin Rabbani, do grupo étnico tajique. Quando os talebans assumiram o poder, Hekmtyar se refugiou no Irã. Ele retornou ao Afeganistão após a invasão americana e, desde então, vem pedindo aos afegãos que apóiem a Al-Qaeda e enfrentem as forças dosEstados Unidos. "Gulbuddin Hekmatyar atua na província de Kunar. Por isso, devem existir vínculos entre ele e Ben Laden", afirma Musharraf, que descarta asinformações dos serviços de inteligência franceses de que Bin Laden teria morrido, vítima de tifo. O general Musharraf, que nesta quinta-feira vai se encontrar com o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, negou em declarações à BBC que os serviços de inteligência de seu país tenham ajudado os talebans e a Al-Qaeda. Segundo um relatório do Ministério da Defesa britânico, divulgado pela BBC, os serviços de espionagem paquistaneses (ISI) prestaramapoio indireto tanto aos talebans afegãos quanto à rede terrorista da Al-Qaeda. O ISI apoiaria em segredo a coalizão de partidos religiosos paquistaneses conhecida como MNA. "O mundo está observando cada vez mais de perto o jogo duplo do Exército paquistanês, que combate o terrorismo mas favorece o MNA e apóia indiretamente aos talebans através do ISI", afirma o documento. "Essas calúnias obedecem a interesses muito concretos e partem de gente que não entende nada do que está acontecendo", argumenta Musharraf. Segundo o presidente paquistanês, "não teria sido possível capturar 680 pessoas se o ISI não estivesse fazendo um trabalhoExcelente". Musharraf rejeitou as acusações do presidente afegão, Hamid Karzi, de que o Paquistão não está fazendo o suficiente para combater os extremistas que atuam na fronteira com o Afeganistão.

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