Senhor de guerra afegão diz que morte de talebans foi acidente

Um senhor de guerra afegão admitiu hoje que prisioneiros talebans foram sufocados no ano passado enquanto eram transportados em contêineres, mas disse que as mortes "não foram intencionais" e a maioria morreu devido a doenças e ferimentos sofridos em batalha. Abdul Rashid Dostum afirmou num comunicado que 200 combatentes talebans morreram em novembro enquanto eram transferidos de Kunduz, que havia acabado se ser capturada pela então oposicionista Aliança do Norte, para a cidade nortista de Shibergan, numa operação que durou quatro dias. Alguns estimam que o número de mortos ultrapassou os 900. "Em nenhum caso prisioneiros foram mortos. Em nenhum caso houve qualquer intenção de que fossem mortos nos contêineres", garantiu Dostum num comunicado conjunto com três outros comandantes da Aliança do Norte. Segundo eles, dos 400 prisioneiros, 200 morreram. "É fundamental reconhecer que a maioria deles morreu de ferimentos sofridos em bombardeios e combates em Kunduz, mas também devido a doenças, sufocamento, suicídio e uma fraqueza geral após semanas de intensas lutas e bombardeios", disse o comunicado. Notícias dando conta de que 960 talebans prisioneiros morreram sufocados depois de terem sido amontoados em contêineres de metal não ventilados começaram a aparecer no final do ano passado. Os prisioneiros deveriam ser transferidos para uma prisão em Shibergan, mas investigadores do grupo Médicos pelos Direitos Humanos, baseado nos EUA, denunciaram que centenas morreram no caminho e que os corpos foram jogados numa vala comum nas proximidades de Dash-e-Leili. Um recente artigo na revista norte-americana Newsweek, citando um relatório confidencial da ONU que traz depoimento de testemunhas falando em 960 homens mortos, fez renovar o interesse pelo caso. O comunicado da Aliança do Norte classifica o artigo da revista de "sensacionalista, impreciso e falso". Milhares de combatentes do Taleban e da Al-Qaeda foram capturados em Kunduz e transferidos em caminhões abertos para Shibergan. Mas contêineres marítimos foram usados posteriormente porque vários prisioneiros tentaram matar os guardas, segundo o comunicado. Contêineres também tiveram de ser utilizados porque prisioneiros foram transferidos por estradas que passavam por áreas ainda controladas pelo Taleban. O comunicado garante que comandantes da Aliança do Norte apelaram por ajuda às Nações Unidas para transportar os detidos, mas não receberam resposta. "Num mundo ideal, essa não era a melhor solução. Mas numa situação em que a segurança estava comprometida, não apareceram veículos mais seguros". Na semana passada, o governo do presidente Hamid Karzai afirmou que iria investigar as mortes, mas o porta-voz de Dostum Faiz Zaki, disse que tal trabalho ainda não começou. Dostum é o representante especial de Karzai no norte do Afeganistão. Em Boston, o Médicos pelos Direitos Humanos conclamou a ONU a liderar uma investigação sobre as mortes. A missão da ONU suspendeu seu inquérito sobre a suposta matança em maio, afirmando que um programa deve primeiro ser estabelecido para defender as vidas das testemunhas.

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