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Senhores da guerra assumem posição defensiva na Somália

Combatentes leais a uma coalizão de senhores da guerra seculares apoiada pelos Estados Unidos pareciam tentar se antecipar a uma possível ofensiva de uma milícia fundamentalista islâmica que os expulsou de Mogadiscio esta semana, disseram testemunhas nesta quarta-feira, 07.Os milicianos leais aos senhores da guerra assumiram posições defensivas em Jowhar, uma cidade estratégica situada 75 quilômetros a noroeste de Mogadiscio.Jowhar é controlada pelo senhor da guerra Mohamed Dheere, que estaria na Etiópia esta semana em busca de reforço para suas fileiras depois de a milícia islâmica União das Cortes Islâmicas ter tomado a capital do país.Na segunda-feira, a milícia tornou-se o primeiro grupo a consolidar o controle de toda a cidade de Mogadiscio em 15 anos. A milícia vinha lutando com uma aliança de senhores da guerra seculares pelo controle do país. A situação agravou-se a partir de fevereiro. A partir de então, 300 pessoas morreram e 1.700 ficaram feridas.Sob condição de anonimato, fontes no governo americano confirmaram que Washington coopera com os senhores da guerra seculares. Os funcionários não falam abertamente sobre o assunto por causa da gravidade da situação. O objetivo dos EUA seria impedir que a Somália seja tomada por militantes islâmicos simpáticos à rede extremista Al-Qaeda, como já aconteceu com a capital.Abdullahi Yusuf Ahmed, presidente do governo de transição da Somália, acusa os Estados Unidos de financiarem os senhores da guerra. Oficialmente, porta-vozes do governo americano não confirmam nem negam a denúncia.Em 1993, os EUA protagonizaram uma desastrada operação militar que resultou na morte de 18 de seus soldados na Somália. Desde então, o Exército americano não executou mais nenhuma missão no país africano.Recentemente, funcionários do governo americano disseram que os líderes islâmicos de Mogadiscio estariam abrigando ativistas da Al-Qaeda condenados pelos atentados de 1998 contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia.A Somália afundou no caos a partir de 1991, quando senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre e depois voltaram-se uns contra os outros. Desde então, o país encontra-se sem um governo central.A situação na Somália assemelha-se em parte ao que ocorreu no Afeganistão. Milícias islâmicas são acusadas de laços com a rede extremista Al-Qaeda e forças seculares de receber ajuda dos Estados Unidos.Os fundamentalistas islâmicos apresentam-se como uma força alternativa capaz de levar ordem ao país. Da mesma forma, o Taleban construiu sua base de apoio no Afeganistão mantendo a ordem com mão de ferro depois de anos de violência generalizada em meio a um conflito entre senhores da guerra locais após a queda do governo comunista.A Somália possui um governo provisório apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que está sediado em Baidoa, 250 quilômetros a noroeste de Mogadiscio.Entretanto, a administração não tem conseguido exercer autoridade em mais nenhum lugar do país, em parte por causa do conflito e também porque os líderes islâmicos o rejeitam por ser um governo que se baseia no Islã.

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