Sentença acaba com o sonho da Irmandade Muçulmana no país

CENÁRIO: Michael Georgy

/ REUTERS, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2015 | 02h05

Em 2012, ao se tornar o primeiro presidente escolhido em eleições livres no Egito, Mohamed Morsi esperava que a Irmandade Muçulmana, depois de décadas de luta com o Estado egípcio, emergiria e transformaria o país.

Mal completando um ano na presidência, Morsi foi deposto pelo Exército e preso. O ato final da sua derrocada foi a condenação à morte por um tribunal egípcio.

A decisão é mais um revés para os líderes da Irmandade e aumenta os riscos de seus membros mais jovens iniciarem uma luta armada contra as autoridades, quebrando o que o grupo afirma ser uma longa tradição de não violência.

Morsi, acusado de abuso de poder e má gestão da economia durante seu governo, foi implicado em vários processos instaurados sucessivamente contra ele numa pressão implacável contra os radicais islâmicos.

Suas grandes ambições de criar "um renascimento egípcio com base islâmica" tiveram vida curta depois que o então comandante do Exército, Abdel Fatah al-Sissi, o depôs em 2013.

Sissi, hoje presidente eleito, disse repetidas vezes que a Irmandade é um grupo terrorista e uma ameaça existencial para o Egito. Essa mensagem era bem recebida por muitos egípcios cujo desejo de estabilidade os fez ignorar as medidas drásticas adotadas por Sissi contra Morsi e seus partidários.

Por longo tempo como a principal oposição política do Egito, até 2011 a Irmandade não imaginava que um dia governaria o país e alguns afirmaram que a decisão do grupo de disputar a presidência fora equivocada.

Quando na clandestinidade, a Irmandade trabalhou para satisfazer o anseio de cerca de 90 milhões de egípcios por serviços e empregos melhores. Morsi foi deposto pelo ex-chefe da inteligência de Mubarak que prometeu um plano para o país se encaminhar para a democracia.

Não existem sinais de reconciliação de ambos os lados, mas uma sentença de morte contra uma personalidade como Morsi e outros líderes da Irmandade poderá ser contraproducente transformando-os em mártires e dando novo ímpeto para aqueles que conseguiram escapar da prisão.

Segundo diplomatas ocidentais, as autoridades egípcias reconhecem que a execução de Morsi é algo arriscado e é improvável que cumpram a sentença.

Mas membros mais jovens do movimento não mais seguem a orientação de seus líderes, o que aumenta a possibilidade de eles perderem a paciência e recorrerem às armas. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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