Sentença pegou presidente de surpresa

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, irritou-se na quinta-feira à noite ao saber da decisão da Câmara Civil Comercial de prorrogar a medida cautelar do Grupo Clarín contra os artigos da Lei de Mídia que obrigam a empresa a vender parte de seus ativos. De acordo com reportagem do jornal La Nación, Cristina considerou a decisão "sob medida para os interesses do Grupo Clarín". A notícia chegou no momento em que ela começava um encontro com uma delegação chinesa na Casa Rosada.

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2012 | 02h07

Em meio ao clima de mal-estar, Cristina teve de atrasar em três horas sua partida para Brasília, onde participou ontem da Cúpula do Mercosul. Na residência oficial, juntamente com seu filho Máximo, ela revisou cada detalhe da resolução. Segundo a reportagem, um assessor presidencial afirmou que o texto "parecia escrito pelos advogados do monopólio".

A decisão fez com que o chamado "7-D" perdesse o sentido. Ontem era o dia em que terminaria o prazo para que as empresas de comunicação argentinas entregassem seus planos de adequação à lei.

Para compensar o abalo, o governo mantém suas apostas no ato marcado para amanhã, na Praça de Maio, em Buenos Aires. O evento, que começa com um festival de música, vai terminar às 21 horas com um pronunciamento de Cristina. Ainda segundo La Nación, o discurso oficial da presidência vai atacar os juízes do tribunal federal no qual corre o processo.

Antes de partir para Brasília, Cristina ordenou à sua equipe de comunicação que reativasse sua conta no Twitter. No microblog, eles comentaram uma matéria do jornal britânico The Guardian que apontava a Argentina como exemplo de saída da crise financeira. Mas nada foi publicado sobre a frustração do 7-D.

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