'Sentimos um solavanco e o navio adernou'

O brasileiro Carlos Frederico Joffily Bezerra, consultor contábil de 46 anos, comemorava as bodas de ouro dos pais no navio Costa Concordia. O grupo reunia 17 parentes da família, de Fortaleza. O momento de maior temor, segundo o relato que Bezerra fez ao Estado, na tarde de ontem, foi quando um casal de sobrinhos desapareceu, pouco antes de todos conseguirem embarcar em botes salva-vidas.

O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2012 | 03h01

"Enquanto jantávamos, por volta das 21h30, sentimos um forte solavanco, uma pancada seca. O navio adernou e houve pânico. Os garçons tentavam nos acalmar, mas logo a embarcação se inclinou mais e tudo caiu no chão, incluindo as pessoas. Daí, houve um blecaute de mais ou menos um minuto."

Bezerra contou que, nesse momento, seu pai, de 74 anos, caiu, pois "não dava mais para ficar em pé sem apoio". "Eles (os tripulantes) pediam tranquilidade, mas isso causa mais pavor ainda. Muita gente ficou histérica."

Pouco depois, segundo o relato, "mensagens cifradas" começaram a ser transmitidas pelos alto falantes "e os funcionários puseram os coletes (salva-vidas)". Bezerra disse que os passageiros receberam a recomendação de voltar às cabines, mas logo a orientação mudou e todos foram encaminhados ao deck onde estavam os botes salva-vidas.

Nesse momento, conseguiu embarcar para o salvamento. Luis Helcio Figueiredo Scipião, de 22 anos, porém, contou que, com sua namorada, sobrinha de Bezerra, entrou num bote que não pôde ser baixado, pela acentuada inclinação do navio. Horas depois, toda a família se reuniu no continente e seguiu para Milão. / GUILHERME RUSSO

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