Separatistas acusam Ucrânia de violar acordo de cessar-fogo

Líderes de Donetsk e Luhansk dizem que presidente Poroshenko decidiu suspender lei de 'status especiais' às regiões

O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 12h25

DONETSK - Líderes separatistas do leste da Ucrânia acusaram nesta quarta-feira, 5, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, de violar o acordo de cessar-fogo ao decidir suspender a lei que concedia "status especial" às regiões de Donetsk e Luhansk, e sinalizaram que não irão mais cumpri-lo.

As autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Luhansk, na região de Donbass, disseram que a decisão de Kiev enfraquece o acordo acertado nas conversas de 5 de setembro em Minsk (Belarus), quando o cessar-fogo entrou em vigor no leste ucraniano.

Poroshenko, que acusa os rebeldes de violarem o acordo de Minsk ao realizarem eleições para escolher suas lideranças no domingo, disse querer que o Parlamento revogue a lei que oferece "status especial" às regiões.

A lei dava a Donetsk e Luhansk direitos limitados para cuidar de suas próprias relações e protegia combatentes separatistas de acusações na Justiça. "O cancelamento de Kiev do status especial para Donbass causa danos sérios ao processo de paz de Minsk", disseram os separatistas pró-Rússia em comunicado conjunto.

Indicando que o ato anula os acordos de Minsk, eles acrescentaram: "A RPD (República Popular de Donetsk) e a RPL (República Popular de Luhansk) não podem agir com base em um documento do qual Poroshenko retirou pontos de fundamental importância."

Os líderes disseram estar prontos para renegociar o acordo de Minsk, com a intenção de encerrar o conflito que já deixou mais de quatro mil pessoas mortas no leste da Ucrânia desde que os separatistas se levantaram contra o governo de Kiev, em abril.

A crise na Ucrânia provocou a maior crise nas relações entre a Rússia e o Ocidente desde o fim da Guerra Fria. /REUTERS

Notícias relacionadas
    Tudo o que sabemos sobre:
    crise na UcrâniaDonetskLuhansk

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.