Azad Lashkari / Reuters
Azad Lashkari / Reuters

Separatistas curdos propõem a Iraque congelar resultado de referendo

Pressionado militarmente, governo autônomo propõe diálogo com governo central com base na Constituição

O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2017 | 13h25

IRBIL, IRAQUE - Pressionado pelo governo central iraquiano, o governo autônomi do Curdistão propôs nesta quarta-feira,25, congelar os resultados do referendo para a independência para tentar encontrar uma solução para o conflito.  As autoridades iraquianas não responderam até o momento.

Após Kirkuk, forças iraquianas querem se posicionar em todo o país

A região votou por sua independência em um referendo no mês passado. Apoiado por Turquia e Irã, que também têm minorias curdas em seus territórios, o governo iraquiano acabou com as aspirações independentistas ao enviar tropas para a região. Em poucos dias os militares retomaram quase todas as zonas disputadas com os curdos, sem o registro de muitos combates.

As autoridades de Erbil, capital do Curdistão iraquiano, rejeitavam em bloco qualquer condição prévia para iniciar um diálogo com Bagdá. Mas na terça-feira foram registrados confrontos entre as forças curdas e iraquianas ao norte, na fronteira com a Turquia, e o governo nacional afirmou que estava determinado a retomar todas as passagens de fronteira e terminais da região autônoma, sob controle dos combatentes curdos.

Nas últimas semanas, Bagdá retomou amplas faixas do território que eram controladas pelos combatentes curdos, em particular na província de Kirkuk.  Em um comunicado publicado durante a noite, o governo curdo propôs ao "governo e à opinião pública iraquiana o congelamento dos resultados do referendo (...) e o início de um diálogo aberto entre o governo do Curdistão e o governo central com base na Constituição". 

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O texto também propõe um "cessar-fogo imediato e o fim das operações militares no Curdistão", depois que 30 combatentes curdos, membros as forças do governo e milicianos paramilitares iraquianos morreram nas operações em áreas de disputa, em particular em Kirkuk.  Ao perder os imensos campos de petróleo, o Curdistão viu afastada qualquer possibilidade de ter um Estado viável economicamente, afirmaram os analistas. 

A ONU, que já propôs um plano alternativo de negociações ao referendo, reiterou na terça-feira a proposta de diálogo entre Bagdá e Erbil. O Parlamento curdo, em consequência da crise, adiou as eleições legislativas e presidencial previstas para o dia 1 de novembro.A oposição curda exige a renúncia do presidente do Curdistão, Masud Barzani, e um "governo de união nacional" para evitar ainda mais divisões na região./ AFP

 

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