Cesar Manso|AFP
Cesar Manso|AFP

Premiê espanhol negociará com PSOE, diz jornal

Segundo ‘El País’, Rajoy estaria disposto a mudar a Constituição em troca da abstenção dos socialistas na votação sobre formação de governo

O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2015 | 14h16

MADRI -Diante do impasse político após as eleições gerais de domingo, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, indicou que estaria disposto a oferecer ao Partido Socialista Operário Espanhol(PSOE) a possibilidade de mudar a Constituição em troca da abstenção do partido em uma possível votação de formação de governo. A informação foi divulgada em uma reportagem do jornal espanhol El País.

Rajoy, do Partido Popular (PP), tem a prerrogativa de compor um novo gabinete, mas suas opções são limitadas. É virtualmente impossível para ele continuar no poder sem o auxílio dos socialistas, ou pelo menos sua abstenção em uma votação parlamentar sobre novo governo.

Segundo o jornal El País, Rajoy também poderia oferecer aos socialistas o cargo de presidente do Congresso. As ofertas, de acordo com o jornal, seriam apresentadas no próximo encontro de Rajoy com o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez. Ainda de acordo com o diário espanhol, Rajoy deverá ter encontros com Sánchez e com o presidente do partido de centro-direita Ciudadanos, Albert Rivera, na próxima semana.

El País explica que o primeiro-ministro estaria disposto a modificar o polêmico artigo 135 da Constituição espanhola para “blindar o Estado de bem-estar”, uma demanda dos socialistas.

Na segunda-feira, líderes dos dois maiores partidos de oposição, o PSOE e o Podemos, anunciaram que votarão contra a recondução de Rajoy ao cargo. O conservador venceu as eleições com 28,7% dos votos, mas elegeu apenas 123 deputados, longe da maioria absoluta no Parlamento, de 176.

A situação do premiê tornou-se ainda mais frágil depois que o Ciudadanos descartou a possibilidade de formar um bloco estável no Legislativo. As eleições gerais de domingo foram consideradas históricas porque interromperam 33 anos de bipartidarismo que beneficiou PP e PSOE. Podemos e Ciudadanos roubaram parte do apoio do PP e do PSOE.

O PSOE está agora diante de uma escolha difícil: aliar-se a um partido rival ou encaminhar novas eleições após a votação inconclusiva de domingo.

Nenhuma opção é atraente para o PSOE. Uma ligação com o partido antiausteridade Podemos poderia dividir os socialistas, que também podem ser acusados de desestabilizar o país se forçarem uma nova votação.

O resultado deixa a Espanha diante de semanas de negociações duras para tentar formar um governo e abalou os mercados financeiros.

Na segunda-feira, em um apelo claro aos socialistas, mas sem mencioná-los, Rajoy disse que conversará com os partidos que compartilham alguns dos objetivos e valores do PP. “A Espanha não pode se permitir um período de incerteza política que abale o progresso que foi conquistado nos últimos dois anos”, afirmou o premiê, referindo-se à recuperação espanhola da recessão e da crise financeira profundas. Em seguida, Susana Diaz, prestigiada líder socialista, rejeitou o gesto de Rajoy, dizendo que o PSOE deveria manter sua palavra e votar “um enfático não” a um novo governo do PP. 

El País informou, citando fontes do governo e do PP, que no melhor dos cenários e se Rajoy conseguir a promessa do PSOE de que irá se abster em uma terceira ou quarta votação, não haverá um novo Executivo até, pelo menos, o início da primavera (Hemisfério Norte). Por outro lado, se a posição de Sánchez de total oposição a um novo governo do líder do PP se mantiver, não haveria outra saída não ser convocar novas eleições, com uma “confusa e conflitiva campanha eleitoral”, diz o jornal.

Catalunha. Partidos separatistas da Catalunha chegaram ontem a um acordo para formar um governo regional pró-independência, criando um novo problema para o governo central da Espanha.

As legendas favoráveis a uma separação da Espanha conquistaram a maioria dos assentos na eleição regional de setembro, mas as divisões entre os vários movimentos minaram a perspectiva de levar adiante a pauta secessionista.

Após uma oposição inicial, o partido anticapitalista CUP declarou apoio ao chefe de governo regional, Artur Mas, o que lhe permitirá continuar como líder. O acordo, que também contempla um plano econômico e um roteiro de 18 meses para a independência, terá de ser endossado por membros da CUP em assembleia no dia 27.

“Os resultados de domingo (eleições nacionais) não mudam nosso roteiro, que continua válido”, disse Raul Romeva, da principal coalizão de separatistas, a Junts pel Si (Juntos pelo Sim). Se a assembleia da CUP rejeitar o acordo, novas eleições terão de ser realizadas na região até março. / REUTERS, EFE e AFP

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