Separatistas da Ucrânia entregam caixas-pretas do voo MH17 à Malásia

Milicianos prometeram ainda abrir espaço para investigação, em um dia marcado pela pressão internacional sobre Vladimir Putin

Andrei Netto, Enviado Especial / Donetsk - O Estado de S. Paulo 

21 de julho de 2014 | 19h27

DONETSK - O líder do movimento separatista República Popular de Donetsk, Alexander Borodai, entregou no início da madrugada desta segunda-feira, 21, em Donetsk, na Ucrânia, as caixas-pretas do voo MH17 da Malaysian Airlines, que caiu no leste do país na quinta-feira, ao governo malaio. A decisão foi tomada horas após o aumento da pressão internacional e a ameaça de novas sanções sobre o governo da Rússia, apoiador das milícias.

O anúncio de que um acordo havia sido fechado entre os separatistas e o governo da Malásia foi feito no início da noite pelo próprio primeiro-ministro malaio, Najib Razak. Uma primeira reunião para a entrega dos gravadores foi marcada para as 21 horas de domingo – 15 horas de Brasília. A seguir, o encontro foi adiado em uma hora, e acabou se estendendo por quase duas horas.

Ao final, o polêmico líder dos separatistas concordou em entregar as caixas-pretas do Boeing 777 que realizava o voo Amsterdã-Kuala Lumpur na quinta-feira, quando caiu no vilarejo de Gabrovo, perto da fronteira da Ucrânia com a Rússia. 

Os gravadores, que registram dados sobre a trajetória de um avião e dos diálogos na cabine entre a tripulação, são considerados peças cruciais em investigações de acidentes aéreos e podem trazer novos elementos sobre o desastre que matou 298 passageiros e tripulantes. Para os governos dos Estados Unidos e da Ucrânia, não há dúvidas de que a aeronave foi abatida por milicianos que têm o apoio extra-oficial de Moscou. 

O presidente Vladimir Putin, porém, negou nesta segunda ter fornecido aos separatistas as baterias antiaéreas que teriam sido usadas no ataque.

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