Separatistas de Papua anunciam fim da luta armada

A guerrilha do Movimento para a libertação de Papua (OPM), que luta há quatro décadas pela independência desta província indonésia, decidiu abandonar a luta armada e adotar meios pacíficos para conseguir seu objetivo, informa nesta sexta-feira a emissora de rádio australiana ABC.A emissora diz que os comandantes da OPM assumiram o compromisso durante uma reunião clandestina da guerrilha na vizinha Papua Nova Guiné. Os comandantes insistiram ao fim da reunião que não se trata de uma rendição nem uma renúncia à causa, "mas de uma estratégia para promover o diálogo com Jacarta e conseguir apoio internacional".A reunião, na localidade de Madang, ao norte de Papua Nova Guiné, foi uma iniciativa do presidente do conselho revolucionário da OPM, Nikolaus Ipo, exilado em Papua Nova Guiné. Segundo a emissora australiana, a mudança estratégica está relacionada à mudança de atitude da comunidade internacional sobre a questão papuana.Em março, a Austrália acolheu um grupo de 42 refugiados simpatizantes da independência. Eles denunciaram que o governo da Indonésia promove um genocídio contra a população de Papua (antiga Irian Jaya).Cerca de 100 mil papuanos, 10% da população da província, foram assassinados pelos militares indonésios desde que Jacarta tomou o controle de Papua, que em 1961 proclamou sua independência da Holanda.Papua decidiu se unir à Indonésia em 1969 através de um plebiscito, cuja validade é questionada pelos nacionalistas papuanos e por muitas organizações internacionais. Desde 2001 a província é administrada segundo uma Lei de Autonomia, mas os separatistas da OPM reivindicam um novo plebiscito.Apesar de ser uma das regiões da Indonésia mais ricas em recursos naturais, com enormes jazidas de gás e petróleo, o desenvolvimento de Papua é muito inferior ao de outras áreas do arquipélago. Grande parte de sua população vive abaixo do limite de pobreza.

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