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Separatistas do leste da Ucrânia pedem tropas russas e marcam referendo

Donetsk repete medidas adotadas na Crimeia, declara independência e pede ajuda a Moscou; crise política se agrava e EUA temem fragmentação ainda maior do país

O Estado de S. Paulo,

07 Abril 2014 | 08h06

(Atualizada às 22h) DONETSK, UCRÂNIA - Manifestantes pró-Rússia, que desde o fim de semana ocupam prédios públicos em Donetsk, no leste da Ucrânia, proclamaram na segunda-feira, 7, a região uma república soberana e convocaram um referendo de adesão a Moscou para o dia 11 de maio. Eles pediram ao presidente Vladimir Putin que enviasse tropas para atuar como "forças de paz". Sob ameaça de uma retaliação dos EUA, o Kremlin não deu sinais de que atenderia aos pedidos.

A iniciativa lembrou o mesmo modelo de anexação da península da Crimeia, no mês passado, e aumentou os temores de uma secessão ainda maior do território ucraniano. O governo interino de Kiev e os EUA acusaram Moscou de incitar os separatistas. A Rússia, que tem milhares de soldados posicionados no leste ucraniano, no entanto, deu sinais de que a situação é diferente. "Não acredito que o cenário reflita exatamente o que ocorreu na Crimeia", disse o chefe da Câmara Alta do Parlamento russo, Ilyas Umahanov, à agência Itar-Tass. "Do ponto de vista legal e histórico é uma situação diferente."

O anúncio da independência e do referendo foi feito pela manhã. "Proclamo a criação do Estado soberano da República Popular de Donetsk", disse um porta-voz dos manifestantes. Ele também pediu ajuda ao governo russo para "resistir à junta que governa Kiev", em referência ao governo provisório pró-ocidental que derrubou, em fevereiro, o presidente Viktor Yanukovich, favorável ao Kremlin, após três meses de manifestações.

Em Donetsk, barricadas foram erguidas com pneus e arame farpado para impedir a entrada da polícia. Em Kharkiv e Lugansk, importantes cidades industriais da região, houve medidas similares. No final da noite, prédios públicos nas três localidades, todas da maioria russa, estavam ocupados. "Medidas antiterrorismo serão tomadas contra quem pegar em armas", alertou o presidente ucraniano Oleksandr Turchinov. O primeiro-ministro Arseni Yatsenyuk acusou a Rússia de incitar a situação. "O plano é desestabilizar o país para que tropas estrangeiras entrem aqui e anexem nosso território, o que não permitiremos", disse.

Em Lugansk, a polícia ucraniana bloqueou todos os acessos à cidade. "Os agressores tomaram o paiol e pegaram suas armas", informou o Ministério do Interior da Ucrânia. Os ativistas pró-russos bloquearam o tráfego na Rua Sovetskaya, em frente à sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SSU). Além disso, também assumiram o controle da filial do Banco Nacional da Ucrânia em Lugansk. Ao menos nove pessoas, entre elas um adolescente, ficaram feridas no ataque.

Em Washington, o secretário de Estado americano, John Kerry, telefonou para o chanceler russo, Serguei Lavrov. Ele disse que a Casa Branca monitora de perto os últimos acontecimentos no leste da Ucrânia e encara a situação com grande preocupação. Segundo ele, novos movimentos por parte de Moscou provocarão "mais custos" ao Kremlin.

"Kerry telefonou para os russos para manifestar seu descontentamento com as atividades de separatistas, sabotadores e provocadores", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki. De acordo com ela, os dois concordaram em discutir a crise na Ucrânia em dez dias com representantes da União Europeia.

A Casa Branca não descarta a hipótese de os manifestantes que tomaram prédios públicos em Donetsk serem agentes russos. Obama ainda estuda impor novas sanções à Rússia, segundo seus assessores.

"Vimos grupos de ativistas pró-Rússia tomarem prédios do governo nas cidades de Kharkiv, Donetsk e Lugansk. Há fortes evidências de que eles não sejam moradores dessas cidades, mas pagos para estarem ali", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. "Se a Rússia interferir no leste da Ucrânia - aberta ou discretamente -, será uma escalada muito séria. Pedimos ao presidente Putin para interromper suas tentativas de desestabilizar a Ucrânia." / AP, NYT e REUTERS

 

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