Aleksey Filippov/AFP
Aleksey Filippov/AFP

Ataques separatistas na fronteira são pretexto para Rússia invadir a Ucrânia, dizem EUA e Otan

Em meio ao agravamento das tensões na fronteira da Ucrânia, a Rússia expulsou o vice-embaixador dos Estados Unidos do país

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2022 | 09h09
Atualizado 03 de março de 2022 | 12h05

KIEV - A Otan e o presidente dos EUA, Joe Biden, alertaram que a ameaça de uma invasão russa da Ucrânia é "muito alta" e disseram acreditar que os russos estão armando pretextos para invadir a Ucrânia por meio de três ataques de separatistas em pontos da fronteira leste da Ucrânia. Em meio ao agravamento das tensões na fronteira da Ucrânia, Rússia expulsou o vice-embaixador dos Estados Unidos do país.

O número dois da diplomacia americana, Bart Gorman, estava na Rússia há cerca de três anos em uma viagem diplomática, disse um funcionário do Departamento de Estado que falou ao jornal The New York Times sob condição de anonimato. 

Na Casa Branca, Biden falou a repórteres que “uma operação de bandeira falsa” estava em andamento e que Moscou a usaria para justificar uma invasão. Falando a repórteres ao deixar a Casa Branca, o presidente dos EUA disse que há todas as indicações que temos de que eles estão preparados para entrar na Ucrânia e não havia planos para ele fazer uma ligação com o presidente russo, Vladimir Putin.

Ainda de acordo com o líder americano, a Rússia não recuou suas forças da fronteira ucraniana e os Estados Unidos têm motivos para acreditar que a Rússia está envolvida em uma operação de bandeira falsa, para incitar a violência na fronteira, que Moscou usaria para justificar uma invasão. Otan preocupa Rússia tentando encenar pretexto para ataque à Ucrânia.

Em uma reunião cercada de expectativa e tensão, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou que a Rússia pode utilizar pretextos falsos, incluindo supostos atentados terroristas ou ataques com armas químicas, para justificar uma invasão do país vizinho. Diante dos representantes do Conselho de Segurança da ONU, Blinken afirmou que compartilharia informações detalhadas com o mundo, na tentativa de influenciar a Rússia a abandonar a ideia de uma escalada militar, e descreveu possíveis cenários do que autoridades americanas têm chamado de  "iminente" invasão.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou que a capacidade militar russa está apenas aumentando em número e força nas imediações da Ucrânia - ao contrário do movimento de retirada prometido pelo Kremlin nos últimos dias. Stoltenberg acenou com a possibilidade da aliança militar enviar reforços para o leste, principalmente para países que fazem fronteira com a Ucrânia.

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Troca de acusações

Mais cedo, os rebeldes separatistas da região leste da Ucrânia acusaram as forças de governo de terem efetuado disparos no território que eles dominam em quatro momentos ao longo das últimas 24 horas. Não se sabe se há mortos ou feridos.

Não se sabe também qual a gravidade dos incidentes. Os militares ucranianos negam as acusações — eles afirmam que ocorreu o contrário: os rebeldes separatistas atiraram contra as forças ucranianas. 

Segundo os militares ucranianos, os separatistas que agem na região leste do país abriram fogo em uma vila e em uma escola de jardim de infância foi atingida. Não houve feridos. Esse tipo de ação tem sido comum nos últimos anos. Os rebeldes dominam uma parte do território ucraniano desde 2014.

Aumento de tropas

O governo dos Estados Unidos acusou, na quarta-feira 16, a Rússia de enviar pelo menos 7 mil militares a mais à região das fronteiras com a Ucrânia, apesar da promessa russa de diminuir o número de soldados na área.

 Volodmir Zelenski, o presidente da Ucrânia, disse que seu país resistirá a qualquer invasão.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse à rede ABC News que Washington não viu "uma retirada significativa" das tropas russas.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que há "poucas provas" de uma retirada russa. Após uma conversa por telefone com o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, os dois líderes concordaram que uma invasão russa teria "consequências catastróficas".

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O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, afirmou que a Rússia mantêm "tantas forças" como antes na fronteira com a Ucrânia e os anúncios de Moscou devem "ser verificados".

Os líderes da União Europeia planejam participar de uma reunião nesta quinta-feira na qual discutirão a situação na Ucrânia./ AFP e REUTERS

 

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