Gleb Garanich/Reuters
Gleb Garanich/Reuters

Separatistas pró-Rússia dizem que só retirarão armas do leste quando Kiev fizer o mesmo

Rebeldes e forças ucranianas se acusam de violar o cessar-fogo acordado em Minsk; Ucrânia diz que 5 soldados foram mortos

O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 11h28



DONETSK - Os separatistas pró-Rússia advertiram nesta segunda-feira, 16, que não há condições para a retirada do armamento pesado da zona de segurança, como ficou combinado no acordo da cúpula de Minsk, realizada semana passada.

O armamento pesado "será retirado em caso de cumprimento dos acordos de Minsk. Por enquanto, tais condições não estão sendo cumpridas", disse Eduard Basurin, subchefe do comando militar da autoproclamada república separatista de Donetsk, à imprensa.

Segundo o documento aprovado em 13 de fevereiro pelos dois lados do conflito, a retirada do armamento pesado deveria começar no máximo no 48 horas depois do cessar-fogo, que entrou em vigor na meia-noite de sábado para domingo.

Os separatistas disseram que só farão a retirada das peças de artilharia e plataformas de lançamento de mísseis da zona desmilitarizada quando "receberem um claro sinal" de que as forças governamentais também começaram a fazê-lo.

As peças de artilharia de mais de 100 milímetros de calibre devem ser retiradas de um trecho de 50 quilômetros. As plataformas de lançamento de mísseis Tornado, Uragan e Smerch e os sistemas de mísseis táticos Tochka devem ser recuados de uma faixa de 140 quilômetros.

Acusações. Os separatistas pró-Rússia acusam Kiev de descumprir o cessar-fogo ao bombardear, entre outras, as imediações das fortificações rebeldes de Donetsk e Gorlovka.

O comando militar ucraniano, no entanto, denunciou que cinco soldados ucranianos morreram nas últimas 24 horas em combates com as milícias pró-russas. "Nas últimas 24 horas, como resultado de combates perdemos cinco soldados ucranianos e outros 25 ficaram feridos", disse Andrei Lisenko, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional e Defesa.

Lisenko detalhou que as baixas aconteceram entre 6h de domingo e 6h de hoje, e acusou as milícias rebeldes de violarem 112 vezes o cessar-fogo estipulado em 13 de fevereiro na cúpula de Minsk, com ataques contra as posições governamentais, a maioria na zona de Debaltsevo, estratégico nó ferroviário e principal ponto de divergência entre as partes.

Os rebeldes afirmam que essa cidade faz parte de seu território, enquanto Kiev considera que, em virtude dos acordos de Minsk de setembro de 2014, Debaltsevo deve permanecer sob controle governamental.

Kiev assegurou que, segundo dados do serviço de inteligência militar, os separatistas receberam ordens de tomar Debaltsevo "a qualquer preço".

Os separatistas dizem ter seis mil soldados cercados ali e exigem que eles deponham as armas como condição para se reunirem com o grosso de suas forças. /EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.