EFE/EPA/STR
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Separatistas tomam sede do governo iemenita

Premiê pede intervenção da coalizão árabe para conter violentos confrontos em Áden

O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2018 | 19h36

SANAA - Forças separatistas do sul assumiram neste domingo, 28, o controle da sede transitória do governo iemenita em Áden, a segunda maior cidade do Iêmen, após violentos confrontos com o Exército, complicando ainda mais a solução do conflito no país.

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O primeiro-ministro do Iêmen, Ahmed Abid bin Daguer, pediu a intervenção da coalizão árabe, que apoia o governo iemenita na luta contra os rebeldes houthis, para ajudar a conter os confrontos.

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Por sua vez, o presidente Abd Rabo Mansur Hadi pediu a todas as unidades militares um cessar-fogo imediato, tentando deter os combates com armas pesadas, que prosseguiam em vários bairros de Áden, levando ao fechamento do aeroporto, além de escolas e lojas.

Pelo menos 4 civis e 11 combatentes morreram nos confrontos, segundo fontes de hospitais. Outros 30 civis e 40 combatentes ficaram feridos.

Os combates começaram nesta manhã após o fim de um prazo dado pelos separatistas para Hadi fazer modificações no governo. Antes, os dois grupos eram aliados na luta contra os houthis que controlam Sanaa, a capital de fato do país.

O movimento separatista é muito forte no sul do Iêmen, que era um Estado independente antes de sua fusão com o Norte, em 1990. O governo de Hadi estabeleceu sua capital “provisória” em Áden em 2015, após ter sido expulso de Sanaa pelos houthis apoiados pelo Irã. No entanto, os separatistas do sul contestam a autoridade de Hadi.

O ex-governador de Áden Aidarus al-Zubaidi, destituído por Hadi em abril de 2017, anunciou em maio do mesmo ano a criação de um Conselho de Transição do Sul, sob sua presidência, para “administrar as províncias do sul e representá-las no interior e exterior” do país.

A tensão aumentou na semana passada, quando o Conselho de Transição do Sul publicou uma declaração pedindo “mudanças no governo” de Hadi dentro de uma semana. O ultimato expirou neste domingo. Os confrontos começaram quando unidades do Exército tentaram impedir que manifestantes separatistas entrassem em Áden.

“Estão executando um golpe aqui em Áden contra (a autoridade) legítima”, declarou o premiê. “Esperamos que os Emirados Árabes Unidos e todos os membros da coalizão (árabe) se ocupem desta crise, que segue para um confronto militar total”, alertou Daguer.

A guerra no Iêmen deixou, desde março de 2015, mais de 9,2 mil mortos e quase 53 mil feridos. No momento, não se vislumbra nenhuma solução.

A ONU considera o Iêmen o cenário da “pior crise humanitária do mundo”, sob risco de provocar uma fome em grande escala. Além dos rebeldes houthis e do movimento separatista, o Iêmen tem a presença de organizações jihadistas, como a Al-Qaeda na Península Arábica. / AFP, EFE e REUTERS

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