Manu Fernandez/AP
Manu Fernandez/AP

Separatistas vencem na Catalunha com maioria

A coalizão nacionalista Junts pel Si defende um processo de independência da Espanha

Andrei Netto, CORRESPONDENTE/PARIS, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2015 | 22h00

PARIS - (Atualizada às 9h20A coalizão nacionalista Junts pel Si (Juntos pelo Sim), que defende um processo de independência da Espanha, venceu as eleições regionais na Catalunha deste domingo com 62 cadeiras, a apenas seis da maioria absoluta do Parlamento regional, fixada em 68 (de 135). Com 97,14% das urnas apuradas, Junts pel Si alcançou uma vitória insuficiente para formar governo sozinha.

Por isso, para alcançar uma maioria absoluta na câmara regional, teria que contar com o apoio da outra força que se apresentava a este pleito com um programa independentista, a CUP (esquerda radical), que obteve 10 cadeiras. As duas formações terão 72 deputados e somam pouco mais de 47% dos votos, abaixo da metade dos eleitores, que ontem compareceram maciçamente às urnas, registrando uma participação de 77%.

Junts pel Si e CUP propunham a independência da Catalunha, uma opção que o governo espanhol - conduzido pelo Partido Popular (PP) - considerada inconstitucional com o respaldo do principal partido de oposição no país, o socialista PSOE.

A se confirmar esse cenário, o novo governo regional deve declarar de forma unilateral em até 18 meses a independência da Catalunha, segundo o atual líder regional do movimento independentista Convergência Democrática da Catalunha (CDC), Artur Mas. 

“Hoje é um grande dia para a democracia na Catalunha”, afirmou em pronunciamento antes do encerramento da votação. “Nós ultrapassamos os últimos obstáculos colocados pelo governo da Espanha. Agora, a Catalunha enfrenta o próprio destino”, declarou.

Na mesma linha, o líder do Juntos pelo Sim, Oriol Soler, lembrou do plebiscito que os independentistas tentaram realizar em novembro de 2014, mas acabou sendo esvaziado pelo governo do primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy.

“Conseguimos realizar o plebiscito que não nos deixavam fazer”, disse ele, reiterando o caráter de consulta popular que a campanha pela independência tentou colar às eleições de ontem. Por sua vez, o líder da CUP, Antonio Baños, comemorou o resultado da boca de urna lembrando em sua conta no Twitter uma música espanhola: “Dedicado ao Estado espanhol. Sem rancores, adeus”. 

O resultado causa mais preocupação em Madri, onde as autoridades políticas espanholas acompanhavam o resultado, pois a participação popular nas eleições na Catalunha foi histórica. 

Nas 2,6 mil seções eleitorais não foram registrados incidentes, nem houve questionamentos pelos observadores internacionais presentes na capital da província, Barcelona.

Unidade. Em Madri, centenas de manifestantes se concentraram na Puerta del Sol, no centro da capital, para demonstrar apoio à unidade da Espanha, com gritos de “Não nos enganam, Catalunha é Espanha”. 

Até o final da noite de ontem, o chefe de governo da Espanha, Mariano Rajoy, também líder do Partido Popular (PP), não havia se manifestado a respeito do resultado do pleito. Também são aguardados os posicionamentos dos líderes dos dois outros maiores partidos espanhóis, Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), e Pablo Iglesias, do partido antissistema Podemos. 

Mais cedo, Iglesias, que defende a reforma da Constituição, com o fim da monarquia, a proclamação da República e a revisão da autonomia das regiões espanholas, havia afirmado via Twitter: “Queremos construir um país em que caiba uma nação chamada Catalunha”.

Além do impacto na Espanha, as eleições na Catalunha e o resultado da campanha independentista são acompanhados de perto em diversas regiões separatistas na União Europeia, como a Escócia, na Grã-Bretanha, e o norte da Itália. 

Ontem, representantes de movimentos de várias origens europeias, como a Bretanha, da França, enviaram representantes a Barcelona para acompanhar o fim da campanha. 


Mais conteúdo sobre:
eleiçãoCatalunhaEspanha

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.