Sequestrador turco é cristão que busca asilo político, diz promotor

Um desertor do Exército da Turquia, que seqüestrou um avião da Turkish Airlines, busca asilo político na Itália, pois teme ser perseguido em sua terra natal muçulmana após se converter ao cristianismo. O seqüestrador quer ainda a proteção do papa Bento XVI, segundo afirmações de um promotor italiano nesta quarta-feira."Parece ter sido uma operação que ele teria planejado há algum tempo, e as razões são de natureza religiosa", disse o promotor Giuseppe Giannuzzi, em coletiva de imprensa na cidade de Brindisi, onde o seqüestro terminou sem violência na terça-feira à noite, quando o seqüestrador se rendeu. "Ao se converter à religião cristã, ele passou a temer voltar à Turquia", disse Giannuzzi, que interrogou o suspeito após sua rendição. Funcionários turcos disseram que Hakan Ekinci estava sendo devolvido à Turquia pela Albânia, onde o pedido de asilo fora negado. A polícia turca estaria esperando no aeroporto para prendê-lo em Istambul, onde o desertor, de 28 anos, e condenado por estelionato, teria aterrissado na terça-feira à noite. Segundo o ministro do Interior da Itália Giuliano Damato, Ekinci invadiu a cabine do piloto quando a aeromoça abriu a porta, e deu um bilhete ao piloto, afirmando que tinha uma mensagem para entregar ao papa e que cúmplices em outro avião "explodiriam aquele avião" se a mensagem não chegasse ao Sumo Pontífice. Apesar de armas não terem sido encontradas, e de não haver nenhum outro avião envolvido, de acordo com as autoridades. "O clima em que vivemos é tal que até mesmo um espirro nos deixa alarmados", disse Giannuzzi. Ekinci foi interrogado durante a noite por autoridades italianas em uma cadeia de Brindisi, segundo seu advogado Vita Cavaliere e o promotor. Suas primeiras palavras aos interrogadores foi: "´quero ficar na Itália, pois tenho medo de voltar´", disse o promotor. Ekinci pediu para ir a Roma pois "seu objetivo é fazer o papa saber sobre a sua religião". "Ele estava obcecado em falar com o papa, para dizer que quer ser protegido, que ele abraçou essa religião (catolicismo)", disse Giannuzzi.Questionado sobre os primeiros relatos de que o seqüestro seria um protesto contra as falas recentes do papa sobre o Islã e a violência, o promotor respondeu que "isso é ficção científica", pois o turco nunca "levantou essa questão". Promotores disseram esperar julgá-lo na Itália.Bento XVI manteve sua agenda nesta quarta-feira, ao circular pela praça São Pedro em seu papa-móvel de teto aberto, saudando os 30 mil peregrinos e turistas que esperavam por sua audiência semanal. Amato disse que, apesar de o seqüestrador afirmar que queria entregar uma mensagem ao papa, ele não carregava nenhuma carta escrita para Bento XVI."A razão pela qual ele insistiu em pousar em Roma ou Brindisi, era de entregar uma missiva ao papa", disse Amato. O ministro afirmou que o incidente mostrou a "fragilidade" do sistema de segurança da companhia turca. "Todos temos em mente a visita do papa à Turquia nas próximas semana", disse Amato, uma peregrinação que irá "apresentar delicados problemas de segurança". "Tomaremos todas as medidas necessárias para a visita do papa", afirmou o embaixador da Turquia na Itália, Ugur Ziyal, à agência de notícias estatal Anatolia. Ele insistiu que não há "riscos em particular", e enfatizou que o papa é bem-vindo. Ekinci havia cumprido um curto período de tempo na cadeia por estelionato e tentativa de deixar o país com o passaporte de outra pessoa, afirmou a polícia turca. Assim que o seqüestro terminou, Ekinci "andou até o meio da classe turismo e disse: ´peço desculpas a todos[...]boa noite´", segundo afirmou o passageiro turco Ergun Erkoseoglu. A Anatólia informou que Ekinci havia dito em um post na internet que ele havia mandado uma carta ao papa em agosto, pedindo ao papa que o ajudasse a evitar o serviço militar na Turquia. "Sou cristão e nunca quero servir em um exército muçulmano", teria dito Ekinci segundo a Anatólia.

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