Seqüestradores de avião sudanês se negam a negociar

Eles também se recusam a soltar as mulheres e as crianças; aeronave tem 95 pessoas a bordo

Associated Press,

27 de agosto de 2008 | 05h42

Os seqüestradores do avião sudanês se negam a negociar nesta quarta-feira, 27, segundo as agências de notícias da Líbia. O grupo forçou o pouso da aeronave no aeroporto de Kufra, no sudeste da Líbia, nesta terça-feira.   Veja também Avião sudanês seqüestrado pousa na Líbia   Os seqüestradores também se recusam a soltar as mulheres e as crianças e a receber alimentos para os passageiros, afirma a agência Jana.   Eles tomaram o comando do Boeing 737, com cerca de 100 pessoas a bordo, na terça-feira logo após a decolagem de Nyala, no sul de Darfur. O destino era a capital do Sudão, Cartum, mas o avião pousou no aeroporto de Kufra, no deserto do Saara, na Líbia.   Segundo o diretor do aeroporto, Khaled Sasiya, que conversou com um dos seqüestradores, eles querem um mapa e combustível para voar até Paris. Sasiya disse que o homem, que se identificou como Yassin, afirmou que ele o os outros seqüestradores são do Movimento de Libertação do Sudão (MLS) e são comandados por Abdel Wahid Nur.   O porta-voz do movimento e de Nour, Yahia Bolad, negou qualquer envolvimento, dizendo que seu grupo "não tem relação alguma com este ato".   Perguntado se as autoridades francesas aceitariam o pouso na França, o ministro de Relações Exteriores Bernard Kouchner disse para a rádio Europe-1 que ele "não poderia garantir nada agora. Mas nós estamos considerando tudo para proteger os passageiros".   Kouchner disse ainda que o líder rebelde Abdel Wahid Nur, que vive em Paris, negou estar em contato com os seqüestradores. "Ele disse que não conhece as pessoas e que é totalmente contra o uso dos métodos dos seqüestradores", afirmou Kouchner. "Este não é seu modo. Ele é um homem pacífico".   O avião seqüestrado é de uma companhia privada, Sun Air, e estava com 95 pessoas a bordo, incluindo a tripulação, informou um comunicado.   Segundo o diretor do aeroporto, o seqüestrador afirmou que o sistema de ar-condicionado do avião está causando problemas respiratórios nos passageiros e que alguns chegaram a desmaiar.   Entre os passageiros, há antigos rebeldes que se tornaram membros da Autoridade Transitória do Darfur, um governo provisório responsável pela execução de um acordo de paz alcançado em 2006 entre o governo e uma das facções rebeldes, afirmou um segurança do aeroporto de Nyala, sob a condição de anonimato.   As informações sobre a quantidade de seqüestradores e suas identidades são contraditórias. A emissora Al Jazera, com sede no Catar, afirma que são dois. Já um oficial libanês do aeroporto de Kufra diz que são 10. E a agência sudanesa Suna afirmou que são quatro seqüestradores.   O cônsul sudanês em Kufra, Mohammed al-Bila Othman, disse para a Suna que há 500 seguranças e policiais, além de ambulâncias e carros de bombeiros no aeroporto.   O chefe da polícia da província do sul do Darfur, Maj. Gen. Fathul-Rahamn Othman, disse à Suna que o seqüestro do avião visa a "desestabilizar a segurança" da região.

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