Tobin Jones/Reuters
Tobin Jones/Reuters

Sequestradores de médicos cubanos no Quênia pedem US$ 1,5 milhão em resgate

Profissionais foram capturados em abril e, segundo informações de moradores locais, teriam sido levados à Somália

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 16h38

NAIRÓBI - Sequestradores de dois médicos cubanos no noroeste do Quênia exigiram um resgate de US$ 1,5 milhão para libertá-los. A informação foi confirmada sob condição de anonimato por fontes do governo e da polícia do país à agência France-Press nessa quarta-feira, 16. Os sequestradores seriam ligados ao grupo terrorista Al-Shabab.

Assel Herrera Correa, clínico geral, e Landy Rodríguez Hernández, cirurgião, foram raptados em 12 de abril quando se dirigiam a um hospital da cidade de Mandera, perto da fronteira com a Somália. Eles eram escoltados pela polícia local, e os sequestradores mataram um policial durante a abordagem.

As negociações têm o intermédio de anciãos somális, muito respeitados na região devido à cultura local. Em geral, eles ficam encarregados de resolver conflitos complexos dentro das comunidades ou entre diferentes grupos. Segundo estes anciãos, os dois médicos teriam sido levados à região de Jubaland, na Somália, onde estariam prestando assistência médica à população.

Em entrevista à agência EFE, Abdullahi Abdille, analista da ONG International Crisis Group (ICG), afirmou que os anciãos são uma das melhores formas de chegar aos sequestradores diante das dificuldades envolvidas na negociação. "Eles não vão liberá-los a menos que se pague uma recompensa", disse. O governo queniano tem resistido a pagar resgates, pois acredita que isso poderia incentivar novos sequestros.

Os dois médicos fazem parte de um contingente de cem cubanos que chegaram à Somália em 2018, como parte de um programa de melhoria do atendimento de saúde no país. O acordo prevê o envio de 50 estudantes quenianos a Cuba para que estudem medicina no país.

Instabilidade

O sequestro de Correa e Hernández é mais um capítulo em uma série de instabilidades que vive a região do Nordeste da África. O Shabab se aliou à organização terrorista Al-Qaeda em 2012, e tem como objetivo estabelecer um Estado de orientação islâmica com uma corte wahabi. O grupo controla parte do centro e o sul da Somália.

Desde 1991, a Somália vive um estado de guerra e caos. O estopim foi a queda do ditador Mohamed Siad Barré, que fez com que o país ficasse sem um governo efetivamente constituído. Desde então, milícias e grupos radicais islâmicos disputam o poder local./ EFE e AFP

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