Seqüestradores morreram em vão, diz Bush

Com os Estados Unidos engajados no bombardeio aéreo constante de posições ocupadas pela organização Al-Qaeda e de seus protetores do Taleban, no Afeganistão, e prestes a acionar forças terrestres, o presidente George W. Bush usou a passagem do primeiro mês dos atentados contra o World Trade Center e o Pentágono, hoje, para reiterar sua determinação de levar adiante a guerra que declarou ao terrorismo e preparar os americanos para um longo conflito. Os seqüestradores dos três aviões que se chocaram contra os dois prédios, e de um quarto, que caiu na Pensilvânia, "eram instrumentos do mal e morreram em vão", disse o presidente americano, durante uma emotiva cerimônia ecumênica realizada no Pentágono para homenagear as 189 pessoas que ali pereceram. Os mentores dos atentados "serão isolados, cercados e encurralados até que não tenham nenhum lugar para onde correr, esconder-se ou descansar", prometeu Bush. E os militares terão "tudo o que precisarem - todos os recursos, todas as armas e todos os meios - para garantir a plena vitória dos Estados Unidos", garantiu. Um evento semelhante foi realizado em Nova York, junto ao que restou das torres gêmeas do World Trade Center e dos prédios vizinhos, onde o número de vítimas continua a ser apenas estimado - em mais de 5.400 - e talvez não venha a ser conhecido com certeza nem mesmo depois da remoção dos escombros, que pode levar um ano. De volta da cerimônia no Pentágono, Bush reuniu seu ministério para fazer um primeiro balanço da campanha contra o terrorismo. À noite, ele concederia a primeira entrevista coletiva formal desde que chegou à presidência. A convocação da entrevista, no salão nobre da Casa Branca, chegou a suscitar rumores de que Bush teria um anúncio espetacular a fazer, tal como a prisão ou a morte de Osama bin Laden, o líder da Al-Qaeda. O Pentágono e a Casa Branca desmentiram os rumores. Cobertura da imprensa Entre as várias motivações da entrevista, uma certamente foi a de envolver Bush diretamente na batalha pela informação e a propaganda, que surgiu nos últimos dias como uma nova frente da guerra contra o terrorismo. A publicidade que as redes de televisão dos Estados Unidos deram a declarações gravadas em vídeo que Bin Laden e seus assessores divulgaram desde o início dos ataques aéreos contra o Afeganistão preocupa a administração Bush. O secretário de imprensa, Ari Fleischer, classificou essas declarações de "propaganda insidiosa". Na quarta-feira, a conselheira de Segurança Nacional, Condoleeza Rice, alertou os executivos das redes para a possibilidade de Bin Laden estar passando mensagens em códigos a seus comandados, nessas declarações, e pediu-lhes que as examine com cuidado antes de colocá-las no ar. Washington também não tem escondido sua exasperação com a rede de televisão a cabo Al-Jazeera, de língua árabe, a única presente em Cabul. A Al-Jazeera, que é controlada pelo governo do emirado de Catar, têm apresentado todos os lados da guerra a um público de mais de 300 milhões de árabes e islâmicos em todo o mundo. Em visita ao emirado de Omã, esta semana, o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, reconheceu que a rede de tevê árabe representa um novo desafio para os governos do Ocidente no controle do fluxo de informações durante crises internacionais, que até agora era virtualmente monopolizado pela CNN. "Uma coisa que está ficando cada vez mais clara para mim é a necessidade de melhorar nossas operações de imprensa e opinião pública nos mundos árabe e islâmico", disse Blair. Um novo Bush Nos trinta dias desde os ataques, muito mudou nos Estados Unidos, a começar pelo próprio Bush. Um político hesitante, que chegou ao poder em circunstâncias questionáveis, e parecia ter dificuldades em focalizar nos complexas questões do governo, Bush praticamente reinventou-se nas últimas semanas. "Ele encontrou sua voz como presidente durante a crise e tem conduzido o país com firmeza", disse esta semana a ex-primeira-dama e senadora democrata por Nova York, Hillary Clinton. Um líder claramente mais seguro de si, Bush comanda hoje uma das maiores taxas de popularidade que um ocupante da Casa Branca já desfrutou. Nove entre dez americanos aprovam as ações armadas dos EUA no Afeganistão. Na mesma proporção, os americanos de origem árabe apóiam a campanha militar contra a Al-Qaeda e o Taleban e se dizem satisfeitos com os esforços de Bush para diferenciar os autores e inspiradores dos ataques dos árabes e islâmicos, dentro e fora dos EUA. Leia o especial

Agencia Estado,

11 Outubro 2001 | 20h11

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