Seqüestradores são de países árabes amigos dos EUA

A maioria deles vinha da Árabia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, duas das nações árabes mais amigas dos Estados Unidos. Eles diziam ser pilotos, mecânicos de avião, estudantes ou turistas. Alguns diziam trabalhar para a Saudi Arabian Airlines, companhia aérea do governo. Eles não dirigiram nenhuma palavra aos seus vizinhos sobre o que guiava suas missões suicidas: comandar os aviões e chocá-los contra dois dos maiores símbolos dos Estados Unidos. "Eles não conversaram sobre nada com ninguém", disse Azzan Ali, aluno de uma escola de pilotagem da Flórida que estudou com dois dos homens apontados pelo FBI como seqüestradores. Nesta sexta-feira, a polícia federal-norte-americana revelou os nomes dos 19 homens identificados como seqüestradores dos quatro aviões utilizados nos ataques. Alguns deles deixaram poucos vestígios na passagem pelos Estados Unidos. Outros passaram anos no país, aprenderam a pilotar, compraram carros, mudaram-se de apartamentos para casas. Muitos deles conheciam Mohamed Atta, um piloto de 33 anos que estava no primeiro avião a bater contra uma das torres do World Trade Center, em Nova York. Atta e Marwan Al-Shehhi, de 23 anos, treinaram juntos na Flórida e ficaram juntos na casa de um ex-funcionário de uma escola de pilotagem no verão do ano passado.Aqueles que os conheciam dizem que eles chamavam um ao outro de "primo" - acreditava-se que eles fossem dos Emirados Árabes Unidos - e eram discretos. Al-Shehhi estava nos Estados Unidos com visto de turista. Assim como Atta, ele possuía licença federal para pilotar. Atta e Al-Shehhi também estiveram juntos em Hamburgo, Alemanha. Autoridades alemãs informaram que eles faziam parte de um grupo extremista que planejava ataques contra importantes alvos norte-americanos. Os dois também estudaram numa escola técnica na Alemanha. Ziad Jarrahi também tinha licença de pilotagem. Ele estava no vôo 93 da United Airlines, avião seqüestrado que iria de Newark, Nova Jersey, para São Francisco e caiu numa comunidade rural da Pensilvânia. Quando saíram para o vôo fatal, Atta e Al-Shehhi dividiram-se. Al-Shehhi estava no vôo 175 da United Airlines, que atingiu a segunda torre do World Trade Center. As autoridades acreditam que Atta voou de Portland, Maine, para Boston na manhã de terça-feira com outro seqüestrador, Abdulaziz Alomari. Alomari também recebeu treinamento na Flórida. Ele dizia ser um piloto da Saudi Arabian Airlines que treinava na FlightSafety International, a escola de vôo em Vero Beach, onde John F. Kennedy Junior treinou. Uma licença federal de pilotagem em nome de Abdulrahman Saeed Alomari leva o endereço da companhia aérea na Arábia Saudita. "Não posso confirmar a ligação de nenhum desses indivíduos com a Saudi Arabian Airlines", diz Thomas Quinn, porta-voz da companhia. "Não consta de nossos registros aqui que esses indivíduos eram nossos funcionários." Ao lado de Atta, no primeiro avião, estava Waleed M. Alshehri, de 25 anos. Registros mostram que ele estava nos Estados Unidos pelo menos desde 1994, quando obteve um número de seguro social e licença de motorista na Flórida. Em 1997, ele formou-se na Universidade Aeronáutica de Embry-Riddle, na Flórida, onde graduou-se para o treinamento de pilotos comerciais. Ele também possuía licença para vôos comerciais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.