Seqüestro de soldados é motivo de grande comoção entre israelenses

O seqüestro de um soldado israelense por grupos militantes palestino no domingo despertou em Israel um de dilemas mais desagradáveis para autoridades e cidadãos - como balancear o desejo de recuperar seus soldados capturados com vida ao mesmo tempo em que não pode mostrar fraqueza aos seqüestradores. No domingo, um grupo de militantes palestinos atacou um posto militar israelense próximo à fronteira de Gaza e seqüestrou o soldado Gilad Shalit, de 19 anos, que trabalhava no local. Outros dois militares morreram na ação.Já nesta segunda-feira, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, rejeito negociar com o militantes palestinos que capturaram o soldado. Entretanto, esta nem sempre foi a resposta israelense para situações semelhantes no passado.Soldados capturados ou perdidos sempre se tornaram um objeto de atenção imediata em Israel, pois os militares passam ser considerados como filhos perdidos pelo país. Repórteres acampam em frente às casas dos pais dos soldados, e suas declarações logo viram manchetes emotivas nas páginas dos jornais - colocando mais pressão para que os cativos sejam liberados o mais rápido possível.Embora Israel tenha como princípio rejeitar as negociações com os militantes, essa regra já foi quebrada muitas vezes para que soldados sejam trazidos de volta - e isso mesmo quando estavam mortos.Em 1994, Nachshon Waxman, um soldado israelense-americano de 19 anos, foi morto por seus captores do Hamas depois que o governo israelense rejeitou negociar.Na ocasião, o então primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, disse que não conversaria com os militantes mesmo depois de Waxman aparecer em um vídeo implorando por sua vida. Ele foi assassinado em represália a uma operação militar lançada para salvá-lo. Waxman foi o último soldado israelense abduzido por palestinos - até a captura de Shalit, no domingo.O governo israelense já anunciou que não negociará com os três grupos que mantém o soldado preso. Já nesta segunda-feira, os militantes divulgaram um comunicado em que exigem a libertação de todas as mulheres e jovens palestinos com menos de 18 anos presos por Israel como condição para dar informações sobre o paradeiro de Shalit.Casos passadosEsta não é a primeira vez que os militantes demandam a libertação de prisioneiros como moeda de troca pela vida de soldados israelenses. E, em algumas das ocasiões, Israel aceitou as condições impostas pelos palestinos.Em janeiro de 2004, por exemplo, o governo israelense e a guerrilha Hezbollah, do Líbano, concordaram em trocar um civil e os corpos de três soldados israelenses seqüestrados por 400 palestinos, 23 libaneses, cinco sírios, três marroquinos, três sudaneses, um liberiano e um alemão. Já em 1983, Israel trocou a liberdade de 4.765 prisioneiros palestinos pela vida de seis de seus soldados presos pela Fatah, então liderada por Yasser Arafat.Dois anos depois, em 1985, 1.150 prisioneiros árabes, a maioria palestinos, foram trocados por três soldados capturados pela guerrilha libanesa durante as batalhas no Líbano em 1982. O acordo, no entanto, foi amplamente criticado na época e ganhou rejeição ainda maior depois que alguns dos prisioneiros libertados participaram de um levante palestino iniciado em 1987.Ron Arad Um outro caso foi manchete nos jornais israelenses por duas décadas - o do piloto da aeronáutica Ron Arad, cujo avião foi abatido em espaço aéreo libanês em 1986. Arad foi visto sendo capturado vivo depois de se ejetar e aterrissar em solo libanês.Apesar dos repetidos contatos, Israel não obteve informações precisas sobre o paradeiro de Arad. Recentemente, o ministro de segurança pública israelense, Avi Dichter, disse que Israel trabalha com a hipótese de que Arad está vivo, pois nunca houve evidência que prove o contrário.Também recentemente, o líder do Hezbollah, Sheik Hassan Nasrallah, disse acreditar que Arad está "morto e perdido" - na primeira vez em que o grupo guerrilheiro falou sobre o assunto explicitamente.Para Israel, no entanto, Arab foi capturado pelo Hezbollah e depois entregue para os mentores iranianos da guerrilha libanesa. O Irã, por sua vez, sempre negou ter informações sobre o paradeiro do piloto israelense.Outros três soldados israelense permanecem desaparecidos desde a batalha na fronteira do Líbano e Síria em junho de 1982, durante a invasão israelense ao Líbano. Ao longo dos anos, as informações sobre o paradeiro dos três foram conflitantes. Alguns dizem que eles foram capturados e levados para Damasco. Para outros, no entanto, os três foram mortos e enterrados em solo sírio ou libanês.A posição oficial de Israel é de que os três soldados estão desaparecidos e os contatos para recuperá-los continuam sendo feitos.

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